A 26° edição da Feira de Tecnologia Agropecuária do Tocantins (Agrotins) começa na terça-feira, 12, e vai até o sábado, 16, e tem como tema “Origem rastreada, qualidade comprovada”. O evento acontece no Parque Agrotecnológico Engenheiro Agrônomo Mauro Mendanha, em Palmas, e traz uma série de atividades como o cultivo experimental de microverdes, que são culturas de ciclo rápido e de alto valor agregado que vêm ganhando espaço no mercado, assim como a apresentação da raça bovina Caracu Mocha, considerada estratégica para sistemas de pecuária mais adaptados ao clima tropical e com maior eficiência produtiva.

Neste ano, a Agrotins recebe o projeto inédito do Shopping das Máquinas, que integra tecnologias, máquinas agrícolas e serviços financeiros em um único espaço. Pesquisas desenvolvidas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt) também farão parte da feira como vitrine de tecnologia, ciência e desenvolvimento sustentável para o agronegócio tocantinense.

As estruturas demonstrativas da feira são coordenadas pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins) e utilizam tecnologias como visão computacional, drones e sensores conectados para monitoramento de lavouras de soja e milho. Os sistemas, baseados em aprendizado de máquina, permitem identificar pragas, doenças e falhas produtivas em tempo real, ampliando a eficiência e a precisão no manejo agrícola.

O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), disse que a feira representa um marco na modernização do setor produtivo. “A Agrotins é hoje um dos principais instrumentos de transformação do agronegócio tocantinense ao conectar tecnologia, pesquisa e o produtor rural em um mesmo ambiente de inovação e oportunidades”, comentou.

O secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Fred Sodré, disse que “Estamos promovendo um ambiente que aproxima o produtor das tecnologias mais avançadas do mercado, fortalecendo a agricultura familiar e ampliando a competitividade do Tocantins no cenário nacional”.

Microverdes

Entre as novidades da feira estão os microverdes, alimentos produzidos em ciclos curtos, com alto valor nutricional e potencial de mercado, especialmente para pequenos produtores. Essa cultura representa uma alternativa de baixo custo e alta rentabilidade, alinhada às novas demandas de consumo por alimentos saudáveis e sustentáveis.

Segundo a engenheira agrônoma do Ruraltins, Maria de Jesus, a cultura representa uma oportunidade de diversificação para pequenos produtores. “As microverdes são produzidas a partir de espécies como rúcula, couve, rabanete e girassol. Elas se destacam pela facilidade de cultivo, podendo ser produzidas em pequenos espaços. Colhidas entre 7 e 21 dias após a germinação, apresentam alta concentração de nutrientes, muitas vezes superiores aos da planta adulta, e vêm se consolidando como uma alternativa promissora na agricultura moderna, ampliando o acesso à alimentação saudável e criando oportunidades de renda”, comentou.

Caracu Mocha

De forma inédita, a raça bovina Caracu Mocha será apresentada na Agrotins 2026 e ganha destaque como uma alternativa para a pecuária de corte no Tocantins e no cenário nacional. A raça se destaca pela rusticidade, adaptabilidade ao clima tropical, precocidade e elevada fertilidade, características que contribuem para maior eficiência produtiva no campo.

Durante a feira, serão apresentados seis touros registrados como Puro de Origem (P.O), selecionados com base em desempenho genético comprovado e oriundos de propriedades das regiões sudeste e sul do Tocantins. A iniciativa visa reforçar o potencial de expansão da raça e ampliar as opções tecnológicas para produtores que buscam mais rentabilidade e sustentabilidade na atividade pecuária.

Inteligência Artificial

O uso de Inteligência Artificial no monitoramento de safras em expansão no estado também serão abordadas na Agrotins 2026. Tecnologias como visão computacional, drones e sensores conectados permitem identificar falhas produtivas, doenças e pragas com antecedência. Também há o uso de algoritmos avançados, como tecnologias capazes de mostrar ameaças como a helicoverpa armigera e o bicudo do algodoeiro antes que se tornem críticos. Além disso, pesquisas apoiadas pela Fapt utilizam imagens aéreas para mapear lavouras de soja e milho com alta precisão.

Outras soluções que serão apresentadas incluem armadilhas desenvolvidas com a  Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que monitoram insetos e condições climáticas em tempo real, além do uso de drones para controle biológico, liberando agentes naturais diretamente nos focos de infestação. Essas metodologias alcançam até 97% de acurácia no mapeamento agrícola, indicando um salto significativo na agricultura de precisão.

A feira também terá participação de estudos universitários. Uma solução baseada em IA será apresentada pela Universidade Estadual do Tocantins (Unitins) com o objetivo de revolucionar o diagnóstico fitossanitário de forma rápida, acessível e precisa. A tecnologia funciona por meio de uma imagem da folha da planta, que o sistema analisa padrões visuais, compara com um banco de dados previamente treinado e apresenta um diagnóstico provável, com base em ocorrências já registradas. A proposta visa permitir a identificação precoce de doenças e pragas, um fator decisivo para reduzir perdas e aumentar a produtividade.

Shopping das Máquinas

O Shopping das Máquinas será um espaço dentro do pavilhão do Ruraltins, destinado aos produtores que desejarem ter acesso a instituições financeiras como Banco do Brasil, Banco da Amazônia, Sicredi, Caixa Econômica Federal e a Agência de Fomento do Tocantins. Também estarão disponíveis serviços como Cadastro Ambiental Rural (CAR), Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) e crédito rural.

O espaço terá a participação de mais de 25 produtores de diferentes regiões do estado, que irão comercializar produtos durante todos os dias do evento.

Pesquisa

A Agrotins 2026 terá uma demonstração de como a pesquisa científica tem sido aplicada diretamente no campo. Projetos vinculados à Fapt e à Rede Deser, Rede de Desenvolvimento Regional, visam mostrar como o conhecimento acadêmico pode gerar impacto real. Um exemplo é o trabalho com a cadeia da mandioca que foi realizada em Gurupi, e contribuiu para melhorar a qualidade da farinha produzida por um agricultor, ampliando sua renda e capacidade de comercialização.

Para a pesquisadora Adriana Terra, integrante do projeto, há uma importância na aproximação entre a ciência e a realidade dos produtores rurais. “A atuação da Rede Deser permite transformar demandas locais em soluções aplicadas diretamente no campo, como no caso da cadeia da mandioca em Gurupi, onde foi possível melhorar a qualidade da farinha produzida, fortalecendo a autonomia do agricultor e ampliando suas oportunidades de mercado”, disse.