Aluno da UFT é reconhecido nacionalmente por fotografia que retrata ritual indígena
28 janeiro 2026 às 08h42

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O estudante do primeiro semestre do curso de Pedagogia Intercultural Indígena da Universidade Federal do Tocantins (UFT), no câmpus de Miracema, Junior Okário’i Tapirapé, foi um dos vencedores do Prêmio Nacional Mre Gavião, promovido pelo Ministério dos Povos Indígenas (MPI). Ele conquistou o reconhecimento na categoria Rituais, Jogos e Cosmovisão, voltada à valorização de produções fotográficas realizadas por artistas indígenas de todo o país.
A cerimônia de entrega ocorreu na noite de 21 de janeiro, em Brasília, e contou com a participação da ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara. Nesta edição, o prêmio selecionou 42 fotografias autorais, distribuídas em nove categorias que abordam diferentes aspectos da vida, da cultura e da resistência dos povos indígenas.
A fotografia premiada retrata o Ritual de Iniciação do rapaz Apyãwa, considerado um dos momentos mais significativos do povo Tapirapé. A cerimônia acontece na Takãra, casa cerimonial localizada no centro da aldeia, espaço destinado à vivência comunitária, à transmissão de conhecimentos e à preservação cultural.

No registro, ganha destaque o cocar Akygetãra, confeccionado especialmente para o ritual com rabo de arara vermelha, asa de jaburu e penugem de gavião-real. A imagem também evidencia outros elementos simbólicos, como brincos feitos de conchas do rio, colares de missangas, pinturas corporais com jenipapo, além dos cantos e danças que acompanham a cerimônia ao longo do dia e da noite.
De acordo com Junior, o ritual segue regras específicas e envolve toda a comunidade. Para ele, o registro fotográfico contribui para o fortalecimento da identidade do povo Apyãwa e para a preservação de suas tradições, transmitidas entre gerações.
Criado com o objetivo de valorizar a auto-representação indígena, o Prêmio Mre Gavião homenageia o fotógrafo e ativista indígena que dá nome à premiação e incentiva narrativas visuais construídas a partir do olhar dos próprios povos originários. Segundo o estudante, o reconhecimento representa não apenas uma conquista pessoal, mas também uma forma de dar visibilidade à cultura Apyãwa e ao papel da universidade pública na promoção da diversidade cultural e no fortalecimento das vozes indígenas no ambiente acadêmico.
