Antes dos sintomas: check-up de início de ano pode mudar rumo da saúde e ajuda detectar doenças silenciosas
17 janeiro 2026 às 08h00

COMPARTILHAR
Com a chegada de um novo ano, aumenta a busca por consultas médicas preventivas, e o check-up de início de ano passa a integrar a rotina de muitas pessoas. A avaliação é considerada uma ferramenta importante para analisar o estado geral de saúde e identificar doenças que ainda não apresentam sintomas.
Segundo o médico generalista Hugo Correda Mata, alguns exames são considerados básicos para uma avaliação inicial. “Hemograma, função renal, função hepática, colesterol e glicemia são exames imprescindíveis para uma avaliação geral da saúde”, afirma. Ele ressalta, no entanto, que a solicitação não deve ser padronizada. “Cada pessoa tem uma variabilidade genética e hábitos de vida distintos, então cabe ao médico, por meio de uma boa anamnese, identificar quais exames realmente precisam ser feitos”, explica.
A periodicidade do check-up varia de acordo com o perfil do paciente. De acordo com o médico, adultos jovens, sem fatores de risco, não precisam realizar exames todos os anos. “Nessa fase da vida, o check-up pode ser feito em intervalos de dois a três anos. A partir dos 40 anos, ele passa a ser anual e já se pensa em um rastreio diferenciado para a saúde da mulher e do homem”, destaca. Com o avanço da idade, o acompanhamento tende a se tornar mais frequente. “Em alguns casos, o check-up pode ser feito até a cada seis meses, principalmente quando há predisposição genética”, acrescenta.

Entre os principais benefícios do check-up está a identificação precoce de doenças silenciosas. “Existem doenças que não apresentam sintomas no início, como hipertensão, diabetes e colesterol alto, e que podem passar muitos anos despercebidas”, afirma Mata. Ele alerta que essas condições aumentam o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). “Além disso, alguns tipos de câncer podem ser detectados precocemente por meio de exames de rastreio, e quanto mais cedo o diagnóstico, melhor o prognóstico do paciente”, completa.
O médico também chama atenção para os hábitos comuns no começo do ano, que podem interferir nos resultados dos exames. “Excessos nas festas, consumo elevado de álcool, alimentação desregulada e alterações no sono influenciam diretamente nos exames”, observa. Por outro lado, mudanças bruscas de comportamento também podem gerar distorções. “Atividade física extrema, jejuns inadequados ou dietas muito radicais podem causar falsos positivos ou falsos negativos. Por isso, esses fatores precisam ser informados durante a consulta”, orienta.
Para quem deseja usar o início do ano como um marco para cuidar melhor da saúde, Mata defende uma abordagem gradual. “Todo começo de ano as pessoas estabelecem metas, mas muitas não são cumpridas porque são soluções rápidas. O mais importante é pensar em consistência e fazer o básico todos os dias, de forma progressiva”, afirma. Segundo ele, dormir melhor, alimentar-se melhor, movimentar-se mais e cuidar da saúde mental são pilares fundamentais.
“O check-up ajuda a manter esse foco e essa perspectiva sobre o cuidado com o corpo, mas os resultados vêm de cuidados contínuos, não de um evento isolado”, conclui o médico.
