Uma produção audiovisual realizada em Araguaína levou a estudante Maitê Mota, de 11 anos, à lista de indicados do Rio Webfest 2026. A menina concorre ao prêmio de Melhor Performance Infantojuvenil pela interpretação de uma personagem na websérie Antonella, que aborda conflitos familiares relacionados à maternidade. O festival, realizado no Rio de Janeiro, reúne trabalhos de profissionais brasileiros e estrangeiros.

A indicação coloca a jovem tocantinense em uma categoria com representantes de produções dos Estados Unidos, Canadá, Rússia, França, Israel, Espanha e México, entre outros países. O resultado será definido por votação popular, disponível na plataforma oficial do Rio Webfest.

Para a estudante, que ainda está nos primeiros trabalhos como atriz, a participação na premiação trouxe novas perspectivas sobre a carreira artística. “Eu me sinto muito feliz e grata por ter sido indicada ao prêmio, isso me incentiva a continuar e a estudar mais teatro”, disse.

O Rio Webfest foi criado em 2015 e tem como proposta reunir produções desenvolvidas especialmente para distribuição pela internet. A programação contempla diferentes formatos audiovisuais e permite a participação de realizadores de vários países.

História de Antonella envolve disputa pela maternidade

O trabalho que garantiu a indicação de Maitê foi desenvolvido sob a direção de Viviane Cartaxo, atriz e responsável pela Accion Produções. Na websérie, a estudante dá vida a Antonella, uma menina que demonstra afeto pela família e pelos animais, mas acaba envolvida em um conflito entre duas mulheres.

A história começa com Helena, uma médica que não consegue engravidar e decide contratar uma mulher para gerar uma criança. O acordo envolve o pagamento de R$ 50 mil. Uma década depois, Márcia, mãe biológica de Antonella, retorna e reivindica direitos sobre a filha.

A partir desse reencontro, a narrativa passa a explorar as consequências do acordo firmado anteriormente e as diferentes relações estabelecidas com a criança.

A websérie integra os projetos realizados pela Accion Produções em Araguaína. Para Maitê, a participação representou mais uma oportunidade de desenvolver a interpretação diante das câmeras, após uma experiência anterior no filme Circo dos Sonhos.

Teatro surgiu como forma de melhorar a leitura

A entrada de Maitê no universo da interpretação não começou com o objetivo de participar de filmes ou disputar premiações. Inicialmente, ela procurou o teatro por acreditar que as atividades poderiam ajudá-la a desenvolver a leitura e a comunicação.

Com o tempo, os exercícios de expressão e interpretação passaram a fazer parte de seus interesses, que já incluíam outras modalidades artísticas. A estudante frequenta o ensino fundamental na Escola Municipal Benedito Canuto Braga, onde assiste às aulas no período da tarde. Durante as manhãs, participa de atividades na Escola de Artes de Araguaína Raimundo Paulino, com formação em desenho, música e canto coral.

A relação com a arte também faz parte do ambiente familiar. O pai, Iguatemy Lopes, trabalha como artista plástico e costuma contar com a participação da filha em algumas de suas atividades.

“Meu pai é artista plástico e, quando ele vai fazer alguns trabalhos, eu gosto de ajudar. Na Escola de Artes, faço desenho, iniciação musical e coral. Eu me identifico muito com pintura e coral”, explicou Maitê.

Embora tenha ampliado suas atividades para o teatro e o audiovisual, a estudante continua dedicando parte da rotina às modalidades que já praticava antes de começar a atuar. A possibilidade de ver Maitê reconhecida por um trabalho de interpretação surpreendeu a família, que já acompanhava sua participação em outras atividades culturais.

Iguatemy afirma que o envolvimento da filha com a pintura, o desenho e a música era conhecido desde cedo, mas que o interesse pela atuação revelou outra habilidade.

“Eu me sinto imensamente grato, porque sabemos que a arte tem um poder transformador. Ela consegue trazer alegria tanto para quem está executando quanto para quem está assistindo. Ver a Maitê hoje inserida em um prêmio tão importante me causa muita alegria. Ela sempre teve essa tendência para a arte, dentro de casa e na Escola de Artes, onde sempre se destacou. Agora descobrimos também esse dom para o teatro”, afirmou.

Projetos oferecem atividades culturais no contraturno escolar

Além da Escola de Artes Raimundo Paulino, onde Maitê participa de aulas, Araguaína dispõe de outras iniciativas destinadas à formação de crianças, adolescentes e adultos interessados em atividades culturais.

Uma delas é o Instituto Social e Cultural Araguaia (ISCA), que mantém cursos com apoio da administração municipal. O projeto oferece mais de 13 modalidades, incluindo turmas de teatro organizadas por faixa etária.

As atividades de interpretação são destinadas a crianças a partir dos 8 anos, adolescentes a partir dos 12 anos e também ao público adulto. Já a Escola de Artes Raimundo Paulino oferece formação em áreas como instrumentos musicais, dança, artes marciais, pintura, artesanato, desenho e coral.

Esses espaços integram a rede de formação cultural do município e permitem que estudantes tenham contato com diferentes linguagens artísticas fora do horário regular de ensino.