Apontado como operador financeiro do PCC e criador de banco digital que teria movimentado R$ 8 bilhões é preso no Tocantins
03 março 2026 às 07h21

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Apontado em investigações da Polícia Civil de São Paulo como um dos principais operadores financeiros do Primeiro Comando da Capital (PCC), João Gabriel de Mello Yamawaki foi preso em Arrainas, sul do Tocantins e permanece à disposição da Justiça. Ele estava foragido desde abril de 2025.
A prisão ocorreu durante uma força-tarefa que buscava suspeitos de envolvimento em um voo clandestino que transportou 500 quilos de cocaína em uma aeronave procedente da Bolívia, com pouso em Paranã, no sudeste do estado. Conforme boletim de ocorrência ao qual a TV Anhanguera teve acesso, o gerente de uma fazenda acionou a polícia após um homem chegar ao local a pé, sem camisa, aparentando nervosismo, pedindo água e sem informar a própria identidade.
De acordo com os policiais, João Gabriel se entregou sem oferecer resistência. Em audiência de custódia, ele afirmou que estava cansado, sem se alimentar ou ingerir água, e que teria caminhado cerca de 40 quilômetros antes da abordagem. Disse ainda que não foi algemado no momento da prisão.
Operação Decurio
O investigado é suspeito de criar e operar o “4TBANK”, um banco digital que, segundo o inquérito da Operação Decurio, funcionava em um prédio no centro de Palmas e mantinha filiais em outros três estados. As investigações apontam que a instituição teria realizado movimentações financeiras ilegais que podem chegar a R$ 8 bilhões.
O Banco Central informou que a empresa não possuía autorização para funcionar.
Além da Operação Decurio, João Gabriel também foi investigado pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Tocantins (Ficco) e foi alvo da Operação Serras Gerais, deflagrada em maio com o objetivo de interromper o fluxo de aeronaves utilizadas para o transporte de grandes remessas de cocaína na região sudeste do estado e combater a lavagem de dinheiro ligada à atividade.
Ele está custodiado na Unidade Penal de Palmas desde a última sexta-feira, em cela de triagem. Segundo a Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju), a medida visa garantir a segurança e a estabilidade da unidade, que atualmente abriga cerca de 900 detentos e opera acima da capacidade prevista.
Em nota, a Seciju informou que o preso segue à disposição do Poder Judiciário e que a pasta monitora a relação entre vagas e custodiados, conforme as diretrizes da Lei de Execução Penal. A secretaria também destacou que o governo estadual prevê a construção da Unidade Penal Serra do Carmo, em Aparecida do Rio Negro, com 600 vagas, para reduzir o déficit no sistema prisional.
A defesa de João Gabriel afirmou à imprensa que a prisão ocorreu de forma ilegal em ação penal que tramita na 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, em São Paulo. Segundo a nota, o investigado tem demonstrado inocência ao longo do processo e nega qualquer envolvimento com os fatos apurados na Operação Serras Gerais.
