Após associação indígena denunciar discriminação, influenciadora pede desculpas por vídeo em aldeia
23 abril 2026 às 14h56

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Após a denúncia formalizada pela Associação Comunidade Indígena da Aldeia Canuanã (Aciac) ao Ministério Público do Tocantins, em razão de vídeo publicado nas redes sociais que, segundo a entidade, teria caráter discriminatório em relação à cultura do povo Javaé, a influenciadora Tânia Mara se manifestou nesta quinta-feira, 23, sobre a repercussão do caso.
No posicionamento encaminhado ao Jornal Opção Tocantins, Tânia Mara informou que a ida à Aldeia Canuanã, em Formoso do Araguaia, ocorreu a partir de convite feito pela indígena Jamilly Lawebeke Dias Karajá. Segundo a influenciadora, sua presença no local teve como objetivo “valorizar e dar visibilidade à cultura indígena”, especialmente em referência ao Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril.
A influenciadora afirmou ainda que ela e o filho agiram de boa-fé durante a visita e que não houve intenção de desrespeitar a comunidade, suas tradições ou o território indígena. Na nota, ela reconhece a repercussão do caso e manifesta arrependimento pelo desconforto causado. “Por isso, expresso meu mais sincero arrependimento por qualquer dor, desconforto ou sentimento de desrespeito que possa ter sido causado, pois reconheço que poderia ter agido com mais cautela na forma de registrar e compartilhar aquele momento”, diz na nota.
Na manifestação, Tânia Mara também se desculpa com a comunidade e informa que está aberta ao diálogo com as lideranças indígenas. “Peço sinceras desculpas à comunidade da Aldeia Canuanã, e me coloco à disposição para ouvir diretamente a comunidade e suas lideranças, não apenas para esclarecer, mas para compreender verdadeiramente os sentimentos envolvidos, com o máximo respeito e empatia”, afirmou.
Denúncia
O caso ganhou repercussão após a Aciac informar, na terça-feira, 21, que protocolou denúncia junto ao Ministério Público do Tocantins. De acordo com a associação, o vídeo publicado nas redes sociais teria conteúdo considerado discriminatório em relação à cultura do povo Javaé, além de mostrar imagens de crianças indígenas.
Segundo a entidade, a entrada de não indígenas e a captação de imagens na comunidade dependem de autorização expressa do cacique, conforme protocolo interno da aldeia. A associação também informou que lideranças tradicionais adotam medidas judiciais relacionadas ao caso.
Confira a nota na íntegra:
Em respeito à Nota de Repúdio divulgada pela Associação Comunidade Indígena da
Aldeia Canuanã (ACIAC), venho, por meio desta, prestar esclarecimentos de forma
transparente, mas, sobretudo, com humildade e sensibilidade diante de tudo o que foi
exposto.
A visita à Aldeia Canuanã ocorreu a partir de um convite feito pela indígena Jamilly
Lawebeke Dias Karajá, o que reforça que não houve qualquer intenção de invasão ou
desrespeito ao território, pois minha presença no local foi motivada por um desejo sincero
de aproximação cultural e admiração pela riqueza da comunidade.
O objetivo da visita foi, exclusivamente, valorizar e dar visibilidade à cultura indígena,
especialmente em referência ao Dia dos Povos Indígenas. A intenção sempre foi
compartilhar vivências com respeito, carinho e admiração, jamais expor, ferir ou
desrespeitar a comunidade, suas tradições ou sua história.
Eu e meu filho agimos de boa-fé durante toda a experiência, guiados por esse propósito.
No entanto, ao tomar conhecimento da repercussão e, principalmente, do sentimento
manifestado pela comunidade, com o coração aberto, reconheço que não houve intenção
de causar qualquer dano.
Por isso, expresso meu mais sincero arrependimento por qualquer dor, desconforto ou
sentimento de desrespeito que possa ter sido causado, pois reconheço que poderia ter
agido com mais cautela na forma de registrar e compartilhar aquele momento.
Peço sinceras desculpas à comunidade da Aldeia Canuanã, e me coloco à disposição para
ouvir diretamente a comunidade e suas lideranças, não apenas para esclarecer, mas para
compreender verdadeiramente os sentimentos envolvidos, com o máximo respeito e
empatia.
Atenciosamente,
Tânia Mara
