Após críticas de Lula, empresária ligada a Lulinha ameaça revelar informações em delação premiada
17 outubro 2026 às 21h53

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A empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, afirmou que pretende fazer uma delação premiada e dirigiu críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem chamou de “canalha”, “covarde” e “mau-caráter”. As declarações foram feitas em entrevista à CNN Brasil, após o presidente classificá-la como “pilantra” e negar qualquer relação pessoal com ela.
Investigada pela Polícia Federal por suspeitas de tráfico de influência em negócios envolvendo órgãos do governo federal, Roberta afirma que está sendo responsabilizada publicamente antes da conclusão das apurações. Segundo a empresária, seus bens foram bloqueados e ela enfrenta ameaças que também atingiriam suas duas filhas.
“Então, uma atitude canalha, uma atitude covarde, uma atitude de mau-caráter, que é o que ele [Lula] faz. Eu estou sofrendo o que ninguém imagina”, declarou.
A possibilidade de colaboração com as autoridades foi apresentada pela empresária como uma reação ao tratamento que afirma receber. Apesar de anunciar a intenção de fazer uma delação premiada, ela não informou se já iniciou negociações formais para um acordo.
“Sabe por quê? Porque eu não tenho pai presidente. Eu não tenho mãe presidente, eu sou uma mulher com duas filhas e eu estou tendo uma máquina pública sendo movimentada em cima de mim, contra mim, contra duas filhas”, afirmou.
Empresária contesta versão de Lula sobre encontros do filho com ministros
Outro ponto das declarações envolve a relação de Lulinha com integrantes do governo federal. Roberta contestou a versão apresentada pelo presidente sobre a atuação do filho e afirmou que Fábio Luís manteve encontros frequentes com ministros.
Entre os nomes mencionados está o ministro da Educação, Camilo Santana. Segundo a empresária, Lulinha chegou a viajar para a residência do ministro, no Ceará, e teria participado de reuniões com integrantes do governo.
“É público, é notório que o Lulinha, inúmeras vezes, esteve com ministros. Inclusive, viajou para a casa do ministro Camilo [Santana] no Ceará”, declarou.
Na sequência, Roberta acusou o presidente de faltar com a verdade ao tratar dos contatos mantidos pelo filho.
“Então, o Lula é um grande mentiroso quando ele fala ‘pilantra, mas meu filho, não. Meu filho jamais foi enviado com algum ministro’. O filho dele sentou-se semanalmente com o ministro, seja pra trocar figurinha, seja pra trocar qualquer outro tipo de diálogo”, afirmou.
A empresária também relatou que participou de reuniões com ministros para discutir políticas públicas. Segundo ela, registros desses encontros estariam armazenados em seu celular, cujo conteúdo estaria sendo divulgado sem sua autorização.
As afirmações sobre a frequência e a finalidade das reuniões são de responsabilidade da entrevistada e não comprovam, por si só, a ocorrência de irregularidades.
Lula negou conhecer empresária e a comparou a Daniel Vorcaro
O confronto público começou após declarações de Lula durante entrevista ao Flow Podcast. Na ocasião, o presidente afirmou não conhecer Roberta Luchsinger e questionou sua conduta, comparando-a ao empresário Daniel Vorcaro.
“Pelo que eu sei, ela é uma pilantra muito grande. Ela muito se assemelha ao Vorcaro, que conseguiu enganar um monte de gente, e ela também parece que enganou um monte de gente. Ela deve ser o Vorcaro feminino”, declarou Lula.
O presidente também rejeitou a alegação de que teria oferecido um cargo à empresária no governo federal. Segundo ele, a afirmação seria uma tentativa de demonstrar proximidade política inexistente.
“Eu não conheço a Sra. Roberta. Nunca estive com a Sra. Roberta. Posso ter tirado foto com ela, como eu tiro de um milhão de pessoas. Acho que ninguém tira mais foto do que eu nesse mundo”, afirmou.
Apesar da negativa, Roberta publicou fotografias ao lado do presidente nas redes sociais. A existência dos registros, entretanto, não esclarece a natureza da relação entre os dois.
Roberta afirma receber ameaças de morte
Durante a entrevista, a empresária também relatou consequências pessoais da exposição pública. Ela afirmou receber ameaças de morte diariamente e disse que suas filhas passaram a enfrentar situações de intimidação e bullying.
“Todo santo dia eu sofro ameaça de morte. As minhas filhas sofrem ameaça, sofrem bullying, porque a partir do momento que um presidente da República marca no meu testamento que eu sou uma pilantra, ele dá um apito para todo esse tipo de agressão”, declarou.
Roberta sustentou que decidiu se manifestar publicamente para defender a própria imagem e proteger a família. As denúncias de ameaças apresentadas por ela não foram acompanhadas, no material divulgado, de informações sobre eventuais registros policiais.
Investigações envolvendo Lulinha tramitam no STF
O nome de Fábio Luís Lula da Silva aparece em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) relacionados a suspeitas de tráfico de influência no governo federal.
Dois procedimentos estão sob relatoria do ministro André Mendonça, enquanto um terceiro foi distribuído ao ministro Flávio Dino. As apurações também envolvem questões relacionadas ao vazamento de informações.
A Polícia Federal investiga suspeitas de que Roberta Luchsinger tenha atuado em conjunto com Lulinha para favorecer interesses empresariais junto a órgãos federais.
Uma das linhas de investigação examina possíveis articulações em benefício de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, em negociações com o Ministério da Saúde relacionadas à comercialização de cannabis medicinal.
As suspeitas permanecem sob investigação, e a existência dos inquéritos não representa comprovação de responsabilidade criminal dos envolvidos.
Quem é Roberta Luchsinger
Roberta Moreira Luchsinger é empresária e herdeira de um ex-acionista do antigo banco Credit Suisse. Ela também possui histórico de participação política e disputou uma vaga de deputada estadual por São Paulo, pelo Partido dos Trabalhadores (PT), em 2018, mas não foi eleita.
Amiga de Lulinha, passou a ser investigada pela Polícia Federal em apurações sobre possíveis relações entre interesses privados e integrantes do governo federal.
Com a manifestação pública de que pretende colaborar com as autoridades, a empresária acrescenta um novo elemento ao confronto com o presidente. Até o momento, porém, não há confirmação de que tenha sido formalizado um acordo de colaboração premiada ou de que suas declarações tenham sido apresentadas às autoridades responsáveis pelos inquéritos.
