O Jornal Opção Tocantins manifesta solidariedade às jornalistas Jocyelma Santana, da TV Anhanguera, e Verônica Veríssimo Bolzan, que enfrentaram episódios de constrangimento envolvendo o deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB), candidato ao governo do Tocantins. O jornal repudia qualquer tentativa de intimidação contra profissionais de imprensa e reafirma que questionar autoridades, cobrar esclarecimentos e investigar fatos de interesse público são deveres do jornalismo. Quem pretende governar um estado precisa estar preparado para responder a perguntas, inclusive aquelas que considera inconvenientes.

Na sexta-feira, 16, durante sabatina da TV Anhanguera, Jocyelma Santana questionou Vicentinho sobre a Operação Overclean, investigação da Polícia Federal que identificou movimentações financeiras suspeitas em uma empresa registrada em nome de sua esposa. O candidato demonstrou insatisfação com a insistência no assunto, mencionou certidões e afirmou que já havia prestado esclarecimentos. Entretanto, a apresentação desses documentos não significa o encerramento da investigação, tampouco equivale a uma absolvição judicial. A pergunta era legítima, pertinente e necessária. O eleitor tem o direito de conhecer os fatos que envolvem alguém que disputa o comando do Poder Executivo estadual.

O episódio remete ao tratamento dispensado pelo parlamentar à jornalista Verônica Veríssimo Bolzan. Em junho, depois de ser fotografado ao deixar um restaurante em Brasília, Vicentinho telefonou para a profissional, acusou-a de perseguição e anunciou medidas judiciais. Na conversa, afirmou que ela deveria se preparar para gastar dinheiro com sua defesa e que compreenderia como funcionava o jogo. A acusação apresentada à Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados resultou em procedimento posteriormente arquivado pelo Ministério Público Federal, que não identificou elementos suficientes para caracterizar o crime de perseguição. A fotografia havia sido feita em local público e utilizada em uma reportagem.

Os dois episódios exigem reflexão sobre a maneira como o candidato lida com mulheres que exercem o jornalismo. No primeiro caso, uma profissional foi alvo de uma acusação que não encontrou respaldo na conclusão do Ministério Público Federal. No segundo, uma jornalista cumpriu sua obrigação ao formular perguntas sobre uma investigação de interesse público. O Jornal Opção Tocantins considera inaceitável que o exercício legítimo da profissão seja tratado como perseguição ou motivo para constrangimento. Ambas merecem respeito pelo trabalho realizado.

Quanto à Operação Overclean, é indispensável esclarecer o alcance das decisões judiciais. O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, negou pedidos de busca e apreensão e de bloqueio de bens contra Vicentinho e sua esposa, por considerar insuficientes, naquele momento, os elementos apresentados para justificar as medidas. Isso não corresponde a uma absolvição criminal. O deputado também não figurou entre os 25 indiciados em uma das etapas da operação, mas a investigação relacionada aos fatos não foi encerrada por aquela decisão. A ausência de indiciamento ou condenação deve ser respeitada, assim como o direito da sociedade de acompanhar as apurações.

Há ainda perguntas relevantes sobre a GMD Borba Distribuidora, empresa registrada em nome da esposa do candidato. Relatórios da Polícia Federal identificaram aproximadamente R$ 85 milhões em entradas e outros R$ 85 milhões em saídas entre 2019 e 2025. Os investigadores também apontaram possíveis repasses relacionados ao parlamentar, hipótese contestada por ele. Vicentinho nega irregularidades e sustenta que a empresa pertencia ao sogro, já falecido. São explicações que devem ser consideradas, mas que não eliminam o interesse público na origem, na natureza e na destinação dos recursos identificados pela investigação.

Por essa razão, o Jornal Opção Tocantins voltará a abordar, ao longo da próxima semana, os fatos relacionados à Operação Overclean, com o objetivo de apresentar aos leitores o histórico da investigação, as decisões judiciais e os questionamentos que ainda dependem de esclarecimento. A apuração jornalística não termina quando um candidato declara que já respondeu a determinado assunto. O compromisso da imprensa é com a informação de interesse público, e não com a conveniência eleitoral de quem ocupa ou pretende ocupar cargos públicos.

A preocupação ultrapassa a disputa eleitoral. O Tocantins já enfrentou períodos de instabilidade institucional relacionados a investigações e decisões judiciais envolvendo o comando do governo. Caso Vicentinho seja eleito e surjam novos desdobramentos da Overclean com consequências jurídicas para seu mandato, o estado poderá enfrentar outro período de incerteza política e administrativa. Trata-se de uma possibilidade, não de um desfecho inevitável, mas suficientemente relevante para justificar questionamentos durante a campanha.

O Jornal Opção Tocantins não confunde investigação com culpa, nem crítica jornalística com condenação antecipada. Da mesma forma, não aceita que candidatos confundam perguntas com perseguição ou recorram à condição de supostas vítimas para evitar o debate sobre fatos documentados. O respeito à presunção de inocência não impõe silêncio à imprensa. E o direito de defesa não autoriza constranger quem pergunta.

Vicentinho Júnior tem todo o direito de contestar reportagens, apresentar documentos e defender sua versão dos fatos. O que não pode esperar é que jornalistas abandonem assuntos de interesse público porque ele considera as explicações suficientes. A liberdade de imprensa também protege o direito de insistir em perguntas ainda sem respostas satisfatórias. Quem pede a confiança dos eleitores para governar o Tocantins precisa demonstrar disposição para prestar contas antes, durante e depois das eleições.

Jornal Opção Tocantins