Reeleito com 35.258 votos, Eduardo Fortes (Republicanos) teve a maior votação para deputado estadual no Tocantins nas eleições de 2026. Natural de São Joaquim da Barra, em São Paulo, é formado em Medicina Veterinária pela UniABC e vive no Tocantins desde 2009, quando passou a trabalhar no setor frigorífico em Gurupi.

Sua trajetória política começou na Câmara de Gurupi, onde exerceu mandato de vereador entre 2017 e 2020. Em 2022, foi eleito deputado estadual pelo PSD, com 15.466 votos. Dois anos depois, disputou a Prefeitura de Gurupi e terminou em segundo lugar, com 17.655 votos, equivalentes a 38,35% dos votos válidos, na eleição vencida por Josi Nunes (União Brasil).

Em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, Fortes atribui o crescimento eleitoral à continuidade dos projetos sociais, explica a aproximação com a prefeita após a disputa municipal e apresenta prioridades para o próximo mandato. O parlamentar também aborda o apoio a Professora Dorinha (União Brasil) no segundo turno, relata o compromisso da candidata com a entrega do Hospital Regional de Gurupi e fala sobre a atuação ao lado da esposa, a deputada estadual eleita Kátia Chaves (Republicanos).

Elâine Jardim — O senhor foi reeleito como o deputado estadual mais votado do Tocantins. O que considera decisivo para esse resultado?

Foi o reconhecimento do trabalho que temos realizado, cuidando das pessoas e do nosso estado. Desenvolvemos sete projetos sociais que atendem milhares de famílias do Tocantins, alguns há mais de seis anos. As pessoas reconheceram essa continuidade, porque não é um trabalho feito apenas em época de eleição. Acredito que esse reconhecimento se refletiu na votação de mais de 35 mil votos.

Quais são esses projetos e o que pretende ampliar diante do crescimento da sua base eleitoral?

Temos casas de apoio em Gurupi e Palmas, onde oferecemos gratuitamente alimentação, dormitório e apoio a pessoas que precisam de atendimento de saúde. Segundo nossos atendimentos, são milhares de pessoas por mês. Também estamos formulando um projeto para abrir uma casa de apoio em Barretos no próximo ano, destinada a quem faz tratamento oncológico na cidade.

As hortas comunitárias existem há seis anos. Hoje são 16 no estado, atendendo cerca de quatro mil pessoas por semana, com alimentos saudáveis para famílias que muitas vezes não têm condições de comprá-los.

Temos ainda o Colo de Mãe, criado há dois anos, pelo qual já entregamos mais de dois mil kits para gestantes que não têm condições de adquirir o primeiro enxoval dos filhos.

O Atleta do Amanhã existe há sete anos e apoia escolinhas de futebol dos bairros e o esporte amador, com materiais esportivos e campeonatos. Também mantemos há sete anos o Sopão Solidário, nos bairros mais carentes de Gurupi.

Na causa animal, realizamos mais de 500 castrações neste ano e promovemos feiras de adoção na Assembleia Legislativa, que caminham para a quarta edição. Também apresentamos projetos nessa área que foram sancionados pelo governador Wanderlei Barbosa.

Em 2024, o senhor disputou a Prefeitura de Gurupi contra Josi Nunes. Como construiu a relação com a prefeita depois daquela eleição e a que atribui a ampliação da sua base?

Eu digo que a política é como o futebol: acaba um campeonato e começa outro. Eu e Josi fomos adversários, mas, depois da eleição, procurei a prefeita e disse que tinha responsabilidade com Gurupi e estava pronto para ajudar.

Durante meu mandato de deputado, destinamos mais de R$ 6 milhões ao município, trabalhando junto com a prefeitura. Essa união, trazendo benefícios para a cidade e fazendo a ponte com o governo estadual, contribuiu para ampliar nossa base. Sempre trabalhei com respeito e responsabilidade, e é assim que pretendo continuar.

Quais compromissos para o sul do Tocantins o senhor apresentou a Dorinha ao confirmar apoio à candidatura dela?

O primeiro é entregar o Hospital Regional de Gurupi, que é uma demanda de toda a região. Ela me garantiu esse compromisso de entregar o hospital à população.

O governador Wanderlei esteve recentemente em Gurupi para dar a ordem de serviço, e a empresa já está com o canteiro de obras instalado. O que queremos é a entrega da unidade.

Também queremos trabalhar pelas demandas do agronegócio, da agricultura familiar, da educação e da infraestrutura das estradas. Pretendo ser esse elo das regiões sul e sudeste com o governo estadual.

Como pretende transformar sua votação em apoio à candidata no segundo turno?

Estamos focados na campanha de Dorinha, conversando com as pessoas que confiam no nosso trabalho e pedindo esse apoio. Defendemos a continuidade do trabalho que vem sendo realizado no Tocantins.

Considero Dorinha preparada para governar. Ela foi deputada federal, é senadora e conhece os caminhos de Brasília e as demandas do estado. Estamos trabalhando com nossa base e nossos apoiadores para apresentar essa posição e contribuir com a candidatura dela.

O senhor e Kátia Chaves exercerão mandatos simultâneos na Assembleia. Como pretendem conduzir essa atuação e preservar a autonomia política de cada um, inclusive em possíveis divergências?

Com responsabilidade e respeito à população. Ela tem sua região de atuação, eu tenho a minha, mas nossa intenção é trabalhar pelo povo do Tocantins.

Queremos levar nossos projetos sociais para a região norte e para o Bico do Papagaio, além de desenvolver novas iniciativas. Recebemos essa oportunidade da população e temos a responsabilidade de trabalhar juntos pelo estado.

Já existem projetos que pretendem desenvolver em conjunto?

Estamos elaborando iniciativas para a região norte e para outras partes do Tocantins. Queremos levar as hortas comunitárias e o Colo de Mãe ao Bico do Papagaio.

Também pretendemos ampliar o Olhar Atento, voltado a cirurgias de catarata e pterígio. Entre o ano passado e este ano, realizamos mais de duas mil cirurgias. A casa de apoio em Barretos é outro projeto que queremos desenvolver juntos.

Como são financiados os projetos sociais vinculados ao seu trabalho? Há recursos de emendas parlamentares?

Os projetos recebem ajuda de parceiros e de pessoas que acreditam no trabalho. Eu não destino minhas emendas parlamentares aos meus projetos sociais.

Temos apoio de empresários e de outras pessoas, e eu também contribuo financeiramente. As hortas comunitárias têm uma associação, com presidente e diretoria, assim como a casa de apoio. Ajudamos essas associações a desenvolver o trabalho.

O que ainda não conseguiu realizar e pretende colocar em prática no próximo mandato?

A casa de apoio em Barretos é um projeto que tenho em mente há muitos anos e que queremos colocar em prática a partir do próximo ano.

Também estamos estudando uma casa de atendimento a pessoas autistas que não têm condições de pagar por profissionais como psicólogo, neurologista e fisioterapeuta. A ideia é construir esse atendimento por meio de parcerias. São iniciativas que ainda estamos analisando para desenvolver no Tocantins.

Caso Dorinha seja eleita, como pretende conciliar o apoio ao governo com a responsabilidade de fiscalizar contratos, cobrar entregas e apurar possíveis irregularidades?

Da mesma forma que tenho feito na gestão de Wanderlei: analisando as matérias, fiscalizando e votando de acordo com o que considero melhor para a população.

Durante o mandato, votei a favor do que entendi ser benefício para o Tocantins e contra aquilo de que discordei. Mesmo sendo da base do governador, fui um dos cinco deputados que votaram contra o  Fundo Estadual de Transporte (FET).

Minha postura será a mesma em uma eventual gestão de Dorinha. Se for benefício para a população, estarei junto. Se considerar que é ruim para o estado, serei contrário.