O candidato ao governo do Tocantins Ataídes Oliveira (Novo) questionou Vicentinho Júnior (PSDB), durante debate da TV Norte, nesta sexta-feira, 25, sobre episódios relacionados à atuação parlamentar do tucano. Entre os assuntos abordados estiveram a investigação da Operação Overclean, movimentações financeiras atribuídas a uma empresa ligada à família de Vicentinho e a destinação de recursos para municípios da Bahia e do Ceará.

Ataídes afirmou que Vicentinho faz parte do mesmo grupo político que critica e lembrou que o deputado já ocupou cargo no governo de Wanderlei Barbosa. Na sequência, direcionou o questionamento para a empresa ligada à família do candidato.

“Como é que um botequim lá de São Miguel em nome da senhora sua esposa conseguiu movimentar R$ 170 milhões, R$ 85 milhões que entraram e saíram? Explica para nós como você conseguiu movimentar esse tanto de dinheiro”, afirmou.

A referência está relacionada a uma investigação envolvendo empresa ligada à família de Vicentinho. No âmbito da Operação Overclean, a Polícia Federal apontou suspeitas de pagamentos que somariam R$ 420 mil e pediu medidas de busca e apreensão e bloqueio de valores.

A Procuradoria-Geral da República se manifestou contra as medidas por entender que não havia sido demonstrada, naquele momento, ligação direta entre os pagamentos apontados e uma atuação de Vicentinho relacionada ao contrato público investigado. O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, acompanhou a manifestação e negou os pedidos.

Vicentinho nega irregularidades.

Durante o debate, o candidato afirmou que a empresa mencionada por Ataídes pertencia a seu sogro e existia antes de seu casamento. Ele também disse que decisões judiciais o isentaram das acusações.

“Você quer macular a memória de meu sogro, que faleceu há três anos, que tinha uma empresa há muito antes. (…) Respeite minha família e a memória do meu sogro”, afirmou.

Emendas para Bahia e Ceará

Ataídes também questionou Vicentinho sobre recursos destinados a outros estados durante sua atuação como deputado federal.

Em 2021, documentos relacionados às emendas de relator mostraram que Vicentinho havia assinado ofícios direcionando R$ 20 milhões para três municípios fora do Tocantins. 

Na época, Vicentinho afirmou que sua atuação estava relacionada às funções que exercia no Congresso, entre elas a vice-liderança de bloco e a relatoria setorial da Agricultura, e negou qualquer irregularidade.

No debate, Ataídes perguntou diretamente se Vicentinho havia recebido algum recurso de emenda parlamentar.

“Você nunca pegou um centavo de emenda parlamentar?”, questionou.

“Não peguei, não”, respondeu Vicentinho.

Ataídes contestou a resposta, mas o tempo destinado ao confronto foi encerrado pela organização do debate.

Vicentinho contesta relação com grupo de Wanderlei

Antes dos questionamentos sobre recursos, Ataídes afirmou que Vicentinho integrava o grupo político ligado a Wanderlei Barbosa e citou a passagem do deputado pelo governo estadual.

Vicentinho respondeu que havia se desligado do projeto político havia mais de dois anos. Segundo ele, a decisão foi formalizada por meio de ofício.

“Há mais de dois anos, por ofício, eu entreguei um ofício dizendo me desconecto, me desligo desse projeto por não acreditar mais nele”, afirmou.

O candidato também desafiou Ataídes a apresentar uma condenação contra ele.

“Prova uma condenação de Vicentinho Júnior, diga quais das certidões minhas não condizem com a verdade, que eu renuncio minha candidatura”, declarou.

Ao responder às acusações, Vicentinho afirmou ainda que não considera Ataídes um inimigo e defendeu o debate de propostas.