Nesta terça-feira, 6, três dias após ação militar dos Estados Unidos da América (EUA) na Venezuela que gerou turbilhão na política internacional, a Organização das Nações Unidas (ONU) disse através da porta-voz do Alto Comissariado para os Direitos Humanos, Ravina Shamdasani,  durante entrevista coletiva, criticou as decisões recentes do presidente norte-americano, Donald Trump. Ela disse que o ataque “torna o mundo menos seguro”. e rejeitou as justificativas norte-americanas para a invasão do território venezuelano, apesar do “longo e deplorável histórico de violações dos direitos humanos do governo local”.

De acordo com a porta-voz da ONU, os Estados Unidos não têm direito legal de invadir a Venezuela. Shamdasani afirma também que a ação dos Estados Unidos “está longe de ser uma vitória dos direitos humanos” e “afeta a soberania da Venezuela, bem como a Carta das Nações Unidas”. Ela ainda frisou que a ação militar causa danos à “arquitetura da segurança internacional”.

A porta-voz declarou ainda que o ataque “viola o princípio fundamental da lei, que diz que os Estados Unidos não podem ameaçar ou usar a força contra a integridade territorial ou contra a independência política de nenhum outro Estado”.

Contexto

Os Estados Unidos invadiram Caracas, capital da Venezuela, no sábado, 3, e sequestraram o presidente Nicolás Maduro e sua mulher Cilia Flores. O casal foi capturado e levado para Nova York. Na segunda-feira, 5, houve uma audiência de custódia, onde o ex-presidente venezuelano disse ser inocente de todas as acusações feitas pelo governo de Donald Trump. A vice-presidente Delcy Rodríguez tomou posse nesta segunda como presidente interina da Venezuela.

Além disso, o presidente dos EUA, Donald Trump, também fez ameaças de anexar a Groenlândia e de executar ação militar na Colômbia no domingo, 4, um dia após ataque na América do Sul. Em discurso nesta terça-feira, 6, em Washington, o presidente alegou ter deixado muitos “cubanos” mortos durante a operação na Venezuela, que denotaria a superioridade bélica dos EUA de acordo com o político.

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