Depois de uma década reunindo informações dispersas sobre a arqueologia do Tocantins, o arqueólogo Romulo Macedo, da superintendência estadual do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), lançou o Atlas Arqueológico do Tocantins, publicação que busca levar ao público um conjunto de dados que, até então, circulava quase exclusivamente entre especialistas.

O livro é resultado de um projeto financiado pela Secretaria da Cultura do Tocantins, por meio do Edital nº 37/2024/GABSEC/SECULT – Arquivos e Acervos 2024, do Fundo Estadual de Cultura. Além da publicação, a iniciativa também incluiu a digitalização de relatórios de pesquisas arqueológicas guardados no acervo do Iphan no estado.

Em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, Macedo disse que a obra nasce de uma inquietação antiga: tornar mais acessível um conhecimento que sempre esteve distante da população.

“O conhecimento arqueológico produzido no Tocantins sempre esteve restrito a poucos. Principalmente porque os relatórios de pesquisas arqueológicas, além de pouco acessíveis, tem uma linguagem muito técnica. Com o lançamento do Atlas Arqueológico do Tocantins estou realizando um sonho que me acompanha desde que cheguei no estado, em 2014, que era difundir os saberes sobre o patrimônio arqueológico a todos aqueles que se interessem por saber mais sobre nossos antepassados.”

Dados que aparecem pela primeira vez reunidos

Segundo o arqueólogo, o Atlas traz informações que nunca haviam sido apresentadas de forma organizada ao público. “Alguns dados estão vindo à tona pela primeira vez”,disse

Entre eles, estão levantamentos sobre onde estão guardados materiais arqueológicos coletados no Tocantins e quais áreas do estado já passaram por pesquisas sistemáticas. O livro também reúne informações sobre turismo arqueológico e legislação municipal relacionada ao tema. “Quantos sítios arqueológicos são alvo de visitação turística. Quais municípios tocantinenses possuem leis de proteção e/ou reconhecimento do patrimônio arqueológico.”

Relatórios arqueológicos também serão disponibilizados

Outra frente do projeto foi a digitalização de relatórios técnicos produzidos ao longo de anos de pesquisas arqueológicas no estado. O material, segundo Macedo, deverá ser disponibilizado em breve ao público.

Ele afirma que o trabalho de reunir as informações para o Atlas exigiu um esforço prolongado de busca em diferentes fontes.

“As maiores dificuldades enfrentadas foi localizar e organizar as publicações que, de algum modo, contemplavam o patrimônio arqueológico tocantinense. As publicações estavam espalhadas em revistas científicas, em sites na internet nacionais e internacionais, em bibliotecas. Somente após esse trabalho prévio foi possível traçar um quadro realista do conhecimento arqueológico produzido até hoje.”

Livro pode ajudar escolas e gestores públicos

Apesar de reunir conteúdo científico, o autor afirma que a linguagem do Atlas foi pensada para alcançar também estudantes, professores e gestores públicos. “O Atlas tem uma linguagem bastante acessível, mas nem por isso desprovida de rigor científico. Ele pode perfeitamente suprir lacunas nos livros didáticos referente à pré-história do Tocantins, pode ajudar os gestores municipais e estaduais a conhecer o patrimônio arqueológico sob sua jurisdição e abrir seus olhos para os ganhos sociais, educacionais e econômicos decorrentes da proteção e promoção desse patrimônio.”

Para ele, o documento pode ajudar pesquisadores deste e de outros estados a prestigiar uma face pouco conhecida da arqueologia brasileira.”

O Atlas está disponível gratuitamente em versão digital neste link. Quem quiser a edição impressa pode solicitar diretamente ao autor, em sistema sob demanda. Segundo Macedo, a expectativa agora é conseguir financiamento para viabilizar uma tiragem impressa e ampliar a distribuição da obra em todo o Tocantins.