Atos apostou na vice e hoje tem poucas alternativas
03 agosto 2026 às 11h08

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A construção política do ex-secretário estadual de Esporte e Juventude, Atos Gomes (Republicanos), foi feita ao longo dos últimos meses praticamente em uma única direção: a vaga de vice na chapa da senadora Dorinha Seabra (União Brasil). Se a indicação não se confirmar, ele chega à convenção com poucas alternativas politicamente viáveis.
Atos deixou o governo no prazo de desincompatibilização para disputar as eleições de 2026, mas, diferentemente de outros pré-candidatos à Câmara dos Deputados, não estruturou uma pré-campanha voltada à eleição proporcional. Ao longo dos últimos meses, não percorreu o estado anunciando dobradinhas, não apresentou uma base regional consolidada nem disputou espaços eleitorais tradicionalmente ocupados por outros nomes do Republicanos.
Esse movimento contrasta com o comportamento de pré-candidatos que pretendiam disputar mandato na Câmara Federal. Enquanto outros parlamentares e ex-secretários passaram meses fechando apoios municipais, Atos permaneceu praticamente fora desse processo. Sua exposição política ganhou força apenas nas últimas semanas, justamente quando começaram as manifestações públicas de apoio ao seu nome para ocupar a vice de Dorinha.
Os sinais também aparecem na agenda política. Atos não esteve ao lado da senadora em eventos importantes da pré-campanha, como os encontros realizados pela União Brasil e pelo Republicanos em Palmas e Araguaína. Se a definição estivesse consolidada há meses, seria natural uma presença mais frequente ao lado da pré-candidata ao governo, fortalecendo a associação entre os dois perante prefeitos, vereadores e lideranças regionais.
A resistência de parte da base governista ao seu nome também ajuda a explicar por que a indicação permanece indefinida às vésperas das convenções. Embora seja apontado como o preferido do governador Wanderlei Barbosa, a construção política em torno de Atos ainda não produziu consenso dentro da aliança.
Caso a vaga de vice fique com outro nome, Atos chegaria à reta final do processo eleitoral sem a estrutura política normalmente construída por quem disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados. Não significa que uma candidatura proporcional seja impossível, mas ela partiria de um estágio diferente do dos demais concorrentes, que passaram meses organizando bases, alianças municipais e apoios. É essa sequência de fatos que sustenta a avaliação de que sua trajetória política, até aqui, foi construída prioritariamente para integrar a chapa majoritária.
