A decisão da Justiça que decretou a prisão preventiva da secretária municipal de Saúde de Palmas, Dhieine Caminski, o superiententende de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa e a representante da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba, Cláudia Fernanda Cândido da Silva, por supostas irregularidades na contratação da Organização da Sociedade Civil (OSC) Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba, nesta quarta-feira, 10, para administrar as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Norte e Sul de Palmas utilizou a locação de um veículo de luxo como um dos elementos para apontar a existência de vínculo entre os envolvidos.

No despacho do últumo dia 5 assinado pelo juiz Milton Lamenha de Siqueira, da 1ª Vara Regional das Garantias de Palmas, que o Jornal Opção Tocantins teve acesso, consta que um automóvel BMW X1 S20I M Sport utilizado por Andreis Vicente da Costa foi alugado por Cláudia Fernanda Cândido da Silva, apontada pela investigação como representante da entidade beneficiada pelo contrato firmado com a Secretaria Municipal de Saúde.

Segundo a decisão, o contrato de locação teve início em 22 de dezembro de 2025, período que coincide com as tratativas relacionadas à dispensa de chamamento público que culminou na parceria para a gestão das UPAs. O aluguel mensal do veículo seria de R$ 9.524.

A referência ao automóvel aparece no contexto da fundamentação apresentada pela Polícia Civil para demonstrar a proximidade entre os investigados. Ao analisar o pedido de prisão preventiva, o magistrado afirmou que o vínculo entre Andreis e Cláudia encontra “suporte inicial” no contrato de locação juntado aos autos.

Além do documento, a decisão menciona um relatório de monitoramento policial que teria registrado a utilização do veículo por Andreis e a proximidade frequente entre os dois investigados.

A investigação conduzida pela Divisão Especializada de Repressão à Corrupção (Decor) apura supostas fraudes e direcionamento no procedimento administrativo que resultou na contratação da entidade paulista para administrar as UPAs Norte e Sul da capital. O contrato envolve recursos públicos estimados em R$ 139.197.927,12.

Conforme a decisão judicial, há indícios de associação criminosa, falsidade ideológica, corrupção e lavagem de dinheiro. Entre os elementos apontados estão depoimentos de servidores da Secretaria Municipal de Saúde que relataram ter recebido pareceres técnicos já elaborados para assinatura, sem discussão prévia entre os membros da comissão responsável pelo processo.

O magistrado também destacou suspeitas relacionadas ao “Extrato de Justificativa de Dispensa de Chamamento Público”, documento assinado pela então secretária municipal de Saúde, Dhieine Caminski. Segundo a decisão, o documento não foi localizado nos sistemas oficiais da prefeitura durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão.

Ao justificar a prisão preventiva de Andreis Vicente da Costa e Cláudia Fernanda Cândido da Silva, o juiz afirmou que a medida é necessária para garantia da ordem pública diante da gravidade concreta dos fatos investigados, do volume de recursos envolvidos e da continuidade da execução do contrato.

A decisão ainda autorizou a quebra do sigilo de dados de geolocalização dos investigados e determinou a manutenção do sigilo do procedimento para preservar as diligências em andamento.

Até o momento, as defesas dos investigados não se manifestaram publicamente sobre os fatos apontados na decisão judicial.

Em nota, a Santa Casa de Misericórdia de Itatiba informou que ainda está tomando conhecimento integral do processo e dos fatos mencionados. A instituição permanece à disposição das autoridades e colaborará com todas as investigações e esclarecimentos necessários.

A Prefeitura de Palmas ainda não se posicionou.