Após cinco meses consecutivos de alta, o preço da cesta básica em Palmas registrou a primeira queda de 2026. Levantamento do Núcleo Aplicado de Estudos e Pesquisas Econômico-Sociais (Naepe) mostra que, em junho, o custo da cesta caiu 5,17%, passando de R$ 784,24 em maio para R$ 743,67, uma redução superior a R$ 40.

Apesar do recuo mensal, a cesta básica ainda acumula alta de 17,45% no ano, reflexo da pressão inflacionária registrada nos primeiros meses de 2026. De acordo com a pesquisa, a redução dos preços foi influenciada pela mudança de estação e pela acomodação do mercado após os impactos provocados pelo aumento dos combustíveis e pelas condições climáticas que afetaram a produção agrícola no início do ano.

Para o economista, professor do IFTO e diretor-geral do Naepe, Autenir de Rezende, o resultado representa uma mudança no comportamento do mercado de alimentos: “Depois de um primeiro semestre marcado por fortes pressões inflacionárias, junho apresentou um movimento de acomodação dos preços. A combinação entre a mudança de estação e a redução das pressões sobre os custos de transporte contribuiu para esse resultado, trazendo um alívio ao consumidor.”

Entre os produtos que mais contribuíram para a queda da cesta básica, o tomate apresentou a maior redução, com recuo de 28,3% em relação ao mês anterior. Também ficaram mais baratos a margarina, com queda de 5%, e o arroz, que recuou 2,5%, em contrapartida, a farinha de mandioca, o feijão e o leite tiveram aumento médio de 2% durante o período.

Mesmo com a redução no custo da alimentação básica, o levantamento aponta que o comprometimento da renda do trabalhador segue elevado. Em junho, um trabalhador remunerado pelo salário mínimo precisou dedicar 100 horas e 54 minutos de trabalho para adquirir uma cesta básica.

O estudo também estima que o salário mínimo necessário para atender às despesas essenciais de uma família seria de R$ 6.247,58, valor superior ao salário mínimo oficial.

Segundo Autenir de Rezende, ainda é cedo para afirmar que a queda observada em junho representa uma tendência para os próximos meses: “Embora o resultado de junho seja positivo, ainda é cedo para afirmar que haverá uma tendência permanente de queda. O comportamento dos alimentos continuará dependendo das condições climáticas, dos custos logísticos e do cenário econômico nacional e internacional.”

Os resultados completos desta e de outras pesquisas desenvolvidas pelo Naepe estão disponíveis no site da instituição e no perfil oficial no Instagram. O núcleo conta com apoio do Pet Economia da UFT, do Ministério Público do Tocantins (MPTO), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt), da Fundação de Apoio Científico e Tecnológico do Tocantins (Fapto) e do Conselho Regional de Economia do Tocantins (Corecon-TO).