A segurança pública aparece como uma das principais frentes nos planos de governo dos candidatos ao Governo do Tocantins nas eleições de 2026. As propostas apresentadas por Laurez Moreira (PSD), Dorinha Seabra (União Brasil), Vicentinho Júnior (PSDB), Siqueira Campos Júnior (Democrata), Du Pereira (DC), Ataídes Oliveira (Novo) e Witer Naves incluem desde a contratação de policiais e reforço do patrulhamento até o uso de inteligência artificial, leitura de placas e mudanças na gestão do sistema penitenciário.

Entre os candidatos, há diferentes estratégias para enfrentar a criminalidade. Enquanto alguns concentram as propostas no aumento do efetivo e na presença policial, outros priorizam tecnologia, integração entre forças de segurança, inteligência financeira ou políticas territoriais de prevenção.

Laurez aposta em tecnologia, patrulhamento rural e gestão prisional

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Laurez Moreira | Foto: Divulgação

O plano de governo de Laurez Moreira prevê a implantação de um Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), com utilização de inteligência artificial, georreferenciamento, análise preditiva e videomonitoramento inteligente em áreas consideradas estratégicas.

A proposta é integrar, em tempo real, operações de órgãos estaduais, federais e municipais. O plano também prevê mecanismos de proteção e governança dos dados utilizados pelo sistema.

Na área rural, Laurez propõe ampliar a Patrulha Rural e o policiamento comunitário em articulação com produtores agrícolas e sindicatos rurais. A estratégia inclui ações preventivas em escolas e busca aumentar a presença policial em comunidades do interior.

Para o sistema penitenciário, o candidato propõe uma gestão baseada em metas e indicadores auditáveis. A proposta prevê fortalecimento da Polícia Penal, ampliação de programas de educação e trabalho para presos e auditoria externa, com mecanismos de controle social.

Dorinha propõe Territórios de Paz

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Professora Dorinha | Foto: Reprodução

A candidata Dorinha Seabra apresenta uma estratégia de segurança baseada na concentração de esforços nos municípios com maiores índices de violência. O programa Territórios de Paz prevê planos integrados de segurança e desenvolvimento social para os 20 municípios com maiores taxas de homicídios.

A proposta combina ações de segurança com políticas sociais e utiliza estatísticas oficiais para definir os territórios prioritários.

Dorinha também propõe formação contínua obrigatória sobre uso progressivo da força e a criação de uma ouvidoria independente.

Na estrutura das forças de segurança, a candidata prevê concursos anuais para a Polícia Militar e a Polícia Penal, além de auxílio-saúde e progressão de carreira. A proposta é recompor de forma contínua os efetivos.

O sistema penitenciário feminino também aparece no plano. A candidata propõe concluir o Complexo Serra do Carmo e construir uma Unidade Penal Feminina em Palmas, com estrutura voltada também ao atendimento materno-infantil.

Vicentinho quer reforçar divisas e criar batalhão no Norte

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Vicentinho Junior | Foto: Reprodução/Agência Câmara

Vicentinho Júnior concentra parte de suas propostas no controle das divisas do Tocantins. O plano prevê a instalação de pórticos com sistemas de leitura de placas, conhecidos como LPR, em pontes e balsas localizadas nas entradas e saídas do Estado.

A intenção é utilizar a tecnologia para identificar veículos suspeitos e integrar os dados às bases da Polícia Rodoviária Federal, com foco no combate à entrada de armas, drogas e veículos roubados.

Para a área rural, o candidato propõe cadastrar propriedades e instalar placas com QR Code nas porteiras. O sistema permitiria localizar rapidamente uma propriedade por GPS em caso de ocorrência policial.

Outra proposta é a criação de um Batalhão de Divisas no norte do Tocantins, especializado no combate ao tráfico de drogas e ao roubo de cargas, com atuação integrada às forças federais.

No sistema prisional, Vicentinho propõe a construção de presídios industriais por meio do modelo Built To Suit (BTS), com unidades integradas a galpões industriais. O plano prevê trabalho remunerado para os detentos e fiscalização do Ministério Público e da Vara de Execuções Penais.

Siqueira Campos Júnior defende integração entre polícias

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Siqueira Júnior | Foto: Divulgação

O plano de Siqueira Campos Júnior apresenta como eixo central a integração operacional das forças de segurança. A proposta denominada “Segurança que Protege as Famílias” prevê articulação entre polícias estaduais e municipais, além do reforço do patrulhamento ostensivo e das ações de inteligência.

A estratégia também prevê integração ao Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), dentro das garantias legais.

Du Pereira aposta em metas regionais e inteligência financeira

Du Pereira | Foto: Divulgação

Du Pereira propõe o programa Tocantins Seguro, baseado na definição de metas regionais para reduzir crimes violentos. A ideia é integrar Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Corpo de Bombeiros em ações coordenadas nos territórios considerados de maior risco.

O candidato também prevê o fortalecimento da inteligência financeira para combater organizações criminosas. A proposta é investigar e bloquear ativos ligados a facções, tráfico de drogas e roubo de cargas, em cooperação com outras instituições e com o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Na questão do efetivo, Du Pereira propõe estudos periódicos sobre vacâncias e déficits regionais para orientar a abertura de concursos, condicionados aos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal.

O plano ainda prevê ampliar o videomonitoramento urbano, com inteligência artificial e leitura de placas, observando as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Ataídes prevê contratação de até 7 mil policiais

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Ataídes de Oliveira, ex-senador da República | Foto: Jornal Opção Tocantins

Ataídes Oliveira apresenta uma das maiores metas de expansão do efetivo entre os candidatos. O plano prevê a contratação escalonada de até 5 mil policiais militares e 2 mil policiais civis durante o mandato.

A proposta é distribuir as contratações ao longo da gestão e condicioná-las ao limite de 49% da Receita Corrente Líquida para despesas com pessoal.

O candidato também propõe fortalecer as delegacias regionais, principalmente na investigação de crimes patrimoniais, homicídios e lavagem de dinheiro no interior do Estado.

A modernização do sistema de inquéritos digitais aparece como uma das medidas para ampliar a capacidade investigativa e aumentar a elucidação de crimes.

Witer propõe reorganização da estrutura de segurança

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Witer Naves | Fotos: Jornal Opção Tocantins

Witer Naves apresenta uma proposta de reorganização administrativa. O plano prevê a criação da Secretaria dos Direitos da Gente e da Justiça Cidadã, reunindo em uma mesma estrutura áreas relacionadas à segurança pública, cidadania, direitos humanos e sistema socioeducativo.

A proposta busca modificar a estrutura administrativa do Estado para tratar a segurança pública também sob a perspectiva de garantia de direitos.

A criação da nova secretaria dependeria de reforma administrativa a ser encaminhada à Assembleia Legislativa.

Tecnologia e efetivo aparecem como pontos comuns

Apesar das diferenças entre os programas, alguns temas se repetem nas propostas dos candidatos. Tecnologia, integração das forças de segurança, reforço do efetivo e atuação no interior do Estado estão presentes em diferentes planos.

O uso de câmeras, leitura automática de placas, inteligência artificial e sistemas de georreferenciamento aparece nas propostas de Laurez, Vicentinho e Du Pereira. Já Dorinha e Ataídes colocam a recomposição do efetivo entre as principais medidas, enquanto Du Pereira condiciona novas contratações ao planejamento fiscal.

A segurança rural também recebe atenção específica, principalmente nos planos de Laurez e Vicentinho, que apresentam estratégias distintas para ampliar a presença policial no campo.

No sistema penitenciário, as propostas vão desde a ressocialização e gestão por indicadores, defendidas por Laurez, até a construção de unidades com estruturas industriais, proposta por Vicentinho, passando pela ampliação da capacidade do sistema feminino prevista por Dorinha.

Avaliação do Sindepol-TO

Emerson Francisco de Moura | Foto: Divulgação

O presidente em exercício do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Tocantins (Sindepol-TO), Emerson Francisco de Moura, avalia que os planos dos candidatos apresentam propostas relevantes, principalmente nas áreas de recomposição do efetivo, tecnologia e ampliação da presença policial. Para ele, porém, as medidas precisam estar inseridas em uma política de Estado de longo prazo, com investimentos permanentes.

Segundo Moura, a Polícia Civil enfrenta atualmente uma defasagem de efetivo que corresponde, na prática, a aproximadamente dois concursos públicos. Por isso, a recomposição dos quadros é apontada pelo sindicato como uma das prioridades para o próximo governo.

“O aumento do efetivo é necessário, mas não basta contratar servidores. É necessário investir em estrutura, equipamentos, tecnologia e, principalmente, em softwares e ferramentas modernas de investigação e inteligência policial”, afirma.

O presidente do sindicato também chama atenção para a distribuição regional dos policiais. O Tocantins possui um território extenso e municípios com realidades distintas, o que, segundo ele, exige planejamento para evitar concentração de profissionais apenas na capital e nos maiores centros.

Além da contratação de policiais, a entidade defende investimentos em delegacias, viaturas, equipamentos e capacitação permanente.

Tecnologia precisa estar ligada à investigação

Sobre as propostas que envolvem inteligência artificial, videomonitoramento, câmeras corporais e leitura automática de placas, o Sindepol-TO avalia que as ferramentas podem produzir resultados concretos, desde que façam parte de um sistema integrado.

Moura destaca que o videomonitoramento e a leitura de placas podem auxiliar na identificação de veículos envolvidos em crimes, no acompanhamento de rotas e na localização de suspeitos. Já a inteligência artificial poderia ser utilizada para cruzar e analisar grandes volumes de informações.

Para a Polícia Civil, entretanto, o sindicato considera prioritário o investimento em softwares específicos de investigação e inteligência, análise de vínculos, extração e tratamento de dados e integração de bancos de informações.

“Hoje, boa parte dos crimes deixa rastros digitais. Portanto, uma Polícia Civil moderna precisa ter capacidade tecnológica para transformar esses dados em prova e inteligência”, afirma.

Divisas e área rural exigem integração

O reforço da segurança nas divisas também é considerado necessário pela entidade, mas o sindicato avalia que a medida, isoladamente, não é suficiente para combater o tráfico de drogas, roubo de cargas e outros crimes.

Para Moura, o posicionamento geográfico do Tocantins e os corredores rodoviários que atravessam o Estado exigem integração entre Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal e forças de segurança dos estados vizinhos.

A avaliação também se aplica à segurança no campo. O sindicato defende a combinação entre presença policial, inteligência, georreferenciamento, tecnologia e articulação com produtores rurais.

“Apreender uma carga de drogas é importante, mas é igualmente necessário identificar quem financiou, transportou e distribuiu, além da organização criminosa que está por trás daquela operação”, diz.

Sindicato aponta prioridades para o próximo governo

Entre as medidas consideradas prioritárias pelo Sindepol-TO estão a recomposição urgente do efetivo da Polícia Civil, a realização periódica de concursos, investimentos em tecnologia e inteligência, melhoria da estrutura das delegacias e unidades do interior, capacitação permanente dos policiais e integração tecnológica entre as forças de segurança.

A entidade também defende uma mudança institucional: a concessão de autonomia administrativa à Polícia Civil, com status de Secretaria de Estado, em posição equivalente à Polícia Militar.

Segundo Moura, a mudança permitiria à instituição planejar sua política, administrar recursos próprios e definir prioridades relacionadas à investigação criminal e à atividade de polícia judiciária.

Para o sindicato, a discussão sobre segurança pública deve ultrapassar o período de um mandato. A avaliação é de que o Estado precisa combinar recomposição de efetivo, estrutura, tecnologia e autonomia institucional para ampliar a capacidade de investigação e enfrentar organizações criminosas.