A empresária Amanda Vasconcelos Barbosa Tavares Reis, de 28 anos, esposa do cantor sertanejo Henrique, que forma dupla com Juliano, foi presa na segunda-feira, 2, no Condado de Orange, em Orlando, na Flórida, após ser flagrada dirigindo de forma irregular em uma via pública, conforme registros oficiais da Polícia de Orlando.

De acordo com o relatório policial, a abordagem teve início durante patrulhamento de rotina na região da South International Drive com a Daryl Carter Parkway. Os agentes observaram que o veículo conduzido por Amanda trafegava simultaneamente entre duas faixas de rolamento, sobre a linha pontilhada que separa as pistas, conduta caracterizada como mudança irregular de faixa pela legislação de trânsito da Flórida.

O documento também aponta que, durante o deslocamento entre as faixas, o veículo seguia com a seta esquerda acionada, apesar de a movimentação ocorrer para a direita, o que era incompatível com a direção da manobra. Após constatar a infração, o policial realizou a consulta da placa do veículo, que indicou ausência de carteira de habilitação válida vinculada ao proprietário.

Ainda segundo a Polícia de Orlando, Amanda possui visto americano válido até 2032 e endereço fixo na Flórida, o que, para fins legais, a caracteriza como residente no estado e exige a posse de carteira de motorista emitida localmente. Essa exigência não foi comprovada no momento da abordagem.

O auto de prisão informa que, mesmo após o acionamento das luzes vermelhas e azuis e da sirene da viatura, a empresária não obedeceu à ordem de parada e seguiu normalmente pela via, ignorando locais considerados seguros para estacionar. A perseguição foi posteriormente encerrada, e os policiais se deslocaram até a residência de Amanda, endereço vinculado ao registro do veículo.

No local, a empresária foi algemada e informada de seus direitos constitucionais, conhecidos como Direitos de Miranda. A leitura foi feita em português, com auxílio de outro policial. No momento da prisão, Amanda declarou possuir habilitação brasileira e apresentou uma cópia digital do documento. No entanto, conforme os registros oficiais, a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) não tem validade legal nos Estados Unidos.

O relatório detalha ainda que Amanda dirigia uma caminhonete Ram, ano 2024. Em levantamento feito pelo g1, o valor do modelo varia conforme a versão, podendo ir de R$ 254.790 a R$ 619.990.

Por se tratar de uma violação considerada criminal pela legislação da Flórida, a empresária precisou comparecer obrigatoriamente em juízo. Ela passou a noite detida e deverá participar de audiência na Justiça dos Estados Unidos.

O que diz o Itamaraty

O Ministério das Relações Exteriores informou, por meio de nota ao site Metrópoles, que monitora a situação com o apoio do Consulado-Geral do Brasil em Orlando. Segundo a pasta, a representação consular está à disposição para oferecer assistência à brasileira envolvida.

O Itamaraty explicou que o atendimento consular ocorre mediante solicitação do próprio cidadão ou, conforme o caso, de familiares. Destacou ainda que a atuação do ministério segue as normas da legislação nacional e internacional e que, por questões legais, não são divulgadas informações sobre o tipo de apoio prestado a brasileiros no exterior.

Implicações legais dos crimes

O relatório policial do Gabinete do Xerife do Condado de Orange (Orange County Sheriff’s Office), nos Estados Unidos, descreve os principais pontos do caso envolvendo Amanda e apresenta as implicações legais dos possíveis crimes pelos quais ela foi acusada, com base na legislação do estado da Flórida.

Crime de terceiro grau:

Conforme o documento oficial, a companheira de Henrique foi presa com base no código 316.1935(2), que corresponde a “fugir ou tentar eludir a polícia com luzes e sirene ativas”.

O enquadramento é classificado como crime grave de terceiro grau (felony third degree). Pela legislação local, a conduta é considerada uma situação que coloca o público em risco.

Implicações:

Um crime dessa natureza pode resultar em penalidades como até cinco anos de prisão, multa que pode chegar a US$ 5.000, suspensão da carteira de motorista — normalmente entre um e cinco anos — além de registro criminal permanente (criminal record).

Crime de segundo grau:

A segunda acusação registrada contra Amanda refere-se ao código 322.03, considerado de menor gravidade quando comparado a um felony. O dispositivo legal trata do delito de “dirigir em posse de uma carteira de habilitação inválida” na Flórida.

A infração é classificada como “misdemeanor” de segundo grau, que representa a menor categoria criminal prevista na legislação estadual.

Consequências?

Para esse tipo de crime, a lei prevê penas máximas de até 60 dias de prisão, multa em torno de US$ 500 ou aplicação de liberdade condicional.

Caso a pessoa apresente posteriormente uma carteira de habilitação válida no estado da Flórida, a acusação pode ser retirada. A situação também pode ser convertida apenas em uma penalidade administrativa. No caso de Amanda, foi fixada uma fiança no valor de US$ 500, e ainda não há confirmação se o montante foi pago.

As informações foram divulgadas pela CNN Brasil e têm como base a legislação vigente no estado da Flórida.

O Jornal Opção Tocantins tenta contato com a assessoria da dupla Henrique e Juliano e também busca localizar a defesa de Amanda. O espaço permanece aberto para manifestações.

*Com informações do G1 e CNN Brasil