Conflitos no campo e trabalho análogo à escravidão crescem no Tocantins em 2025 e superam registros do ano anterior
28 abril 2026 às 07h31

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A Comissão Pastoral da Terra (CPT) Regional Araguaia-Tocantins divulgou, nesta segunda-feira, 27, os dados do relatório “Conflitos no Campo Brasil 2025” com recorte estadual, indicando crescimento nas disputas agrárias no Tocantins em relação ao ano anterior.
Segundo o levantamento do Centro de Documentação Dom Tomás Balduíno (Cedoc-CPT), o estado contabilizou 70 conflitos no campo em 2025, envolvendo mais de 3,8 mil famílias. Em 2024, haviam sido registrados 50 conflitos, com cerca de 16,4 mil pessoas atingidas, conforme dados da CPT Nacional, ou um aumento de 40%.
No eixo terra, foram identificados 45 conflitos em 2025, número próximo ao registrado no ano anterior, quando houve 48 ocorrências desse tipo. As situações atingem principalmente quilombolas, trabalhadores sem terra, posseiros, assentados e povos indígenas.
Já os conflitos por água somaram 12 registros em 2025, com metade dos casos afetando diretamente comunidades quilombolas. O relatório também aponta oito ocorrências relacionadas a trabalho análogo à escravidão no estado neste ano, número superior ao de 2024, quando foram identificados dois casos, com 11 trabalhadores resgatados em áreas rurais de municípios como Arraias e Marianópolis do Tocantins.
Os dados de 2024 também indicaram 32 ocorrências de violência contra a pessoa no campo, resultando em 15 vítimas. Entre os casos registrados naquele ano estão os assassinatos do camponês Cícero Rodrigues de Lima, ligado ao assentamento P.A. Remansão, e do ambientalista Sidiney de Oliveira Silva, no Tocantins. As ocorrências incluem ainda ameaças, agressões e outras formas de violência contra trabalhadores rurais e comunidades tradicionais.
Mesmo diante dos conflitos, o relatório de 2025 registra cinco ações de resistência coletiva, que reuniram cerca de 900 pessoas em iniciativas como ocupações, retomadas e mobilizações em defesa da terra e dos recursos naturais.
De acordo com a CPT, o Tocantins permanece inserido na área de expansão agrícola conhecida como Matopiba, onde disputas por terra e recursos naturais seguem associadas à pressão sobre territórios ocupados por comunidades rurais.
