As comemorações da Copa do Mundo e das festas juninas costumam alterar a rotina das residências, com reuniões entre familiares e amigos, aumento da circulação de pessoas e maior exposição a sons intensos. Nesse período, médicos-veterinários orientam que os tutores adotem medidas para reduzir riscos de acidentes, fugas e problemas de saúde envolvendo cães e gatos.

Um dos principais pontos de atenção é o uso de fogos de artifício com estampido, que podem provocar medo, estresse e até acidentes. No Tocantins, a Lei Estadual n.º 4.133/2023 proíbe a comercialização, o transporte, o armazenamento e a utilização de fogos de artifício com efeitos sonoros. A recomendação é optar por alternativas sem estampido, reduzindo os impactos causados aos animais, pessoas idosas, crianças e indivíduos com sensibilidade auditiva.

Outro cuidado importante envolve as pinturas e caracterizações temáticas. Quem deseja fantasiar ou colorir o animal para acompanhar as comemorações deve utilizar apenas produtos desenvolvidos especificamente para uso veterinário e aplicados por profissionais capacitados em pet shops ou clínicas veterinárias. Tintas inadequadas podem causar irritações, alergias e intoxicações.

As roupinhas também merecem atenção. Além de não limitar os movimentos do animal, elas devem ser confortáveis e adequadas à temperatura ambiente. Peças muito apertadas ou confeccionadas com tecidos quentes podem provocar desconforto e até quadros de hipertermia. Durante festas e reuniões, é importante ainda observar o comportamento dos pets diante de sons altos, música, gritos e grande circulação de pessoas.

A orientação também é redobrar os cuidados para evitar fugas. Durante confraternizações, o entra e sai de pessoas pode facilitar a saída dos animais para a rua, aumentando o risco de atropelamentos, acidentes e desaparecimentos. Manter portões fechados, identificar os pets e oferecer um local seguro e confortável são medidas que ajudam a garantir que as comemorações transcorram de forma mais segura.

Em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, o médico veterinário Laécio Duarte explica que um dos principais riscos durante esse período é o aumento da circulação de pessoas nas residências, situação que favorece fugas e, consequentemente, atropelamentos e desaparecimentos de animais. “Durante esse período, um dos principais riscos é o aumento da circulação de pessoas nas residências. Com portas e portões sendo abertos com frequência, aumentam muito as chances de fugas e, consequentemente, de atropelamentos e desaparecimentos. Por isso, é importante orientar as visitas e manter o animal em um ambiente seguro e monitorado”, destaca.

Médico-veterinário Laécio Duarte orienta sobre os cuidados com pets durante as comemorações | Foto: Redes Sociais

O veterinário também alerta que os convidados não devem oferecer restos de comida aos animais de estimação, já que muitos alimentos consumidos em confraternizações podem ser tóxicos ou provocar problemas de saúde. “Outro ponto importante é evitar que os convidados ofereçam restos de comida aos pets. Muitos alimentos consumidos em confraternizações podem ser tóxicos ou causar problemas graves, como gastroenterites e pancreatite, que é uma inflamação do pâncreas frequentemente associada ao consumo de alimentos gordurosos”, ressalta.

Laécio Duarte acrescenta que o excesso de barulho e de movimentação pode gerar estresse significativo nos animais. Segundo ele, nos felinos, por exemplo, o estresse pode desencadear quadros de cistite idiopática felina, uma inflamação da bexiga bastante comum, além de favorecer o desenvolvimento de lipidose hepática quando o animal deixa de se alimentar por períodos prolongados.

O médico-veterinário afirma que, em situações mais graves, especialmente em animais com fobia a ruídos, o medo intenso provocado por fogos de artifício, buzinas e música alta pode resultar em lesões decorrentes de tentativas de fuga, comportamentos compulsivos e episódios de automutilação. “Por isso, é recomendável que tutores de animais mais sensíveis procurem orientação de um médico-veterinário comportamentalista ou adestrador para realizar um trabalho de dessensibilização antes desses eventos”, pontua.

Ele também observa que animais idosos e aqueles com doenças cardíacas, respiratórias ou limitações físicas tendem a sofrer ainda mais com o estresse provocado pelas comemorações.

Ao abordar os efeitos dos ruídos sobre cães e gatos, Laécio Duarte explica que esses animais possuem audição muito mais sensível que a dos seres humanos. De acordo com ele, sons intensos, como fogos de artifício, buzinas, música alta e até o aumento da movimentação de pessoas, podem desencadear medo, ansiedade e estresse.

Segundo o veterinário, os sinais mais comuns incluem tremores, salivação excessiva, vocalização intensa, taquicardia, falta de apetite, esconder-se em locais isolados e tentativas de fuga. Em situações extremas, alguns animais podem se ferir ao tentar escapar ou apresentar comportamentos compulsivos e automutilação.

Laécio Duarte orienta que os tutores preparem um ambiente tranquilo e seguro para reduzir esses impactos. “Para reduzir esses impactos, o ideal é preparar um ambiente tranquilo e seguro, mantendo portas, janelas e portões fechados. O tutor deve disponibilizar um local onde o animal se sinta protegido, evitando forçá-lo a interagir com visitantes. Sons ambientes suaves podem ajudar a mascarar ruídos externos”, explica.

O médico-veterinário ressalta, ainda, que alguns animais com fobia a fogos ou outros ruídos intensos podem necessitar de medicação para controle da ansiedade e do estresse. “Em alguns casos, especialmente em animais que apresentam fobia a fogos ou outros ruídos intensos, apenas as medidas ambientais não são suficientes. Esses pacientes podem necessitar de medicação para controle da ansiedade e do estresse. Por isso, é fundamental que o tutor converse previamente com o médico-veterinário para que o animal seja avaliado e, se necessário, receba o tratamento mais adequado e seguro. A automedicação nunca é recomendada”, enfatiza.

Durante as confraternizações, os alimentos típicos, bebidas e objetos decorativos também exigem atenção. Conforme Laécio Duarte, entre os alimentos que oferecem maior risco estão bebidas alcoólicas, chocolate, uvas e passas, alimentos muito gordurosos, comidas altamente temperadas, preparações que contenham alho e cebola, além de doces e sobremesas típicas.

O veterinário acrescenta que, nas festas juninas, também é importante observar alimentos como paçoca, pé de moleque, cocadas, bolos, canjica, curau, milho preparado com manteiga e outras receitas ricas em açúcar, gordura e leite. Segundo ele, embora nem todos sejam tóxicos, esses alimentos podem causar vômitos, diarreia, pancreatite e outras complicações gastrointestinais.

Entre os objetos que oferecem riscos aos animais, Laécio Duarte cita espetos de churrasco, palitos, fogos de artifício, velas, balões, barbantes, fitas decorativas e pequenos enfeites que podem ser mastigados ou ingeridos, provocando lesões e obstruções intestinais.

O médico-veterinário orienta que a melhor forma de prevenção é manter alimentos, bebidas e objetos potencialmente perigosos fora do alcance dos animais, orientar os convidados a não oferecerem comida aos pets e supervisioná-los durante toda a confraternização. “Caso o tutor queira incluir o animal na comemoração, o ideal é oferecer petiscos próprios para cães e gatos ou alimentos previamente liberados pelo médico-veterinário. Até mesmo a pipoca pode ser oferecida ocasionalmente, desde que seja preparada sem óleo, manteiga, sal ou qualquer tipo de tempero”, conclui.