Democratas conquistam maioria no Congresso dos EUA e impõem derrota a Trump
04 novembro 2026 às 07h05

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Os democratas conquistaram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira, 3, segundo projeções da Associated Press (AP). O resultado representa uma derrota para o presidente Donald Trump e altera a composição do Congresso nos dois últimos anos de seu mandato.
A apuração avançou durante a madrugada desta quarta-feira, 4, com vitórias da oposição em estados tradicionalmente republicanos e em regiões que haviam apoiado Trump na eleição presidencial de 2024. A nova composição do Legislativo começa a valer em janeiro de 2027.
Até a manhã desta quarta-feira, as projeções apontavam pelo menos 225 cadeiras democratas na Câmara, que possui 435 integrantes. Para controlar a Casa, são necessárias 218 vagas. No Senado, os democratas alcançaram ao menos 54 das 100 cadeiras, acima das 51 necessárias para formar maioria. Embora algumas disputas ainda estivessem em aberto, a conquista das duas Casas já era projetada.
Democratas vencem em estados tradicionalmente republicanos
A votação também foi marcada por vitórias democratas em estados onde o partido enfrentava longos períodos sem eleger representantes para o Senado. No Texas, James Talarico derrotou o procurador-geral republicano Ken Paxton. O estado não elegia um senador democrata desde 1988.
No Kansas, Adam Hamilton venceu o senador Roger Marshall, encerrando um intervalo de 94 anos sem uma vitória democrata na disputa pelo Senado. Já na Carolina do Sul, Annie Andrews conquistou uma cadeira em um estado que não elegia um senador do partido desde 1998.
A oposição também obteve resultados favoráveis em Ohio, Iowa, Carolina do Norte e Maine. De acordo com a AP, os democratas conquistaram pelo menos sete cadeiras que estavam sob controle republicano.
O novo Senado também terá mudanças na representatividade. Eleito por Michigan, Abdul El-Sayed será o primeiro senador muçulmano da história dos Estados Unidos. Chris Pappas, de New Hampshire, será o primeiro homem abertamente gay a integrar a Casa.
Entre os republicanos, Byron Donalds foi eleito governador da Flórida após derrotar o democrata David Jolly. Com a vitória, ele se tornará o primeiro governador negro do estado.
Insatisfação com a economia e guerra com o Irã influenciaram cenário
A derrota republicana ocorreu em meio à insatisfação de parte do eleitorado com a condução do governo Trump, especialmente em relação à guerra contra o Irã, ao aumento dos combustíveis e ao custo de vida. O descontentamento também foi identificado em estados que haviam contribuído para a vitória do presidente em 2024.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira (2), véspera da votação, apontou que Trump tinha 32% de aprovação. O levantamento foi realizado entre 29 de outubro e 2 de novembro, próximo de um dos níveis mais baixos registrados pelo presidente.
Outro dado citado pela Reuters indica que metade dos eleitores entrevistados enxergava as eleições como uma oportunidade de manifestar insatisfação com Trump. Além disso, 70% defendiam que o Congresso exercesse maior controle sobre o presidente.
Trump diz que aceitará resultado e sinaliza uso de vetos
Após a divulgação das projeções, Trump afirmou ao jornal The New York Times que estava disposto a aceitar o resultado e demonstrou expectativa de negociar com os democratas. “Provavelmente chegaremos a um entendimento”, declarou.
Apesar da sinalização de diálogo, o presidente também indicou que pretende utilizar o poder de veto para impedir propostas da oposição. Em publicação na rede Truth Social, compartilhou a imagem de um boné vermelho com a palavra “veto”.
A possibilidade já havia sido mencionada em entrevista ao podcast Pod Force One, do New York Post. Na ocasião, Trump afirmou que poderia se tornar o “Sr. Veto”, em referência à possibilidade de barrar projetos aprovados pelo Congresso e negociar posteriormente com os parlamentares.
O presidente também procurou afastar a responsabilidade direta pelo desempenho republicano. Em publicação nas redes sociais, argumentou que seu nome não estava nas cédulas e afirmou que, caso estivesse, os republicanos teriam vencido com ampla vantagem.
Trump ainda defendeu sua decisão de entrar em guerra com o Irã, classificando-a como “muito sensata”, e declarou não ter arrependimentos. Também descreveu os dois primeiros anos de seu segundo mandato como o período de dois anos mais bem-sucedido da história de um presidente americano.
Oposição terá poder de fiscalização e poderá barrar indicações
Com o controle das duas Casas, os democratas passam a ter instrumentos legislativos para dificultar a implementação das propostas do governo republicano. A oposição poderá bloquear projetos, fiscalizar despesas públicas e abrir investigações sobre a administração Trump.
A maioria no Senado também amplia a capacidade de interferência nas decisões da Casa Branca. Compete aos senadores analisar e votar indicações presidenciais para cargos como ministros, embaixadores e juízes federais, incluindo eventuais nomeações para a Suprema Corte.
