Deputados estaduais do Tocantins destinaram apenas R$ 50 mil a políticas para mulheres em meio ao avanço dos feminicídios
07 janeiro 2026 às 14h38

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Em um contexto de agravamento da violência letal contra mulheres no Tocantins, o volume de recursos públicos destinados especificamente a políticas de enfrentamento e fortalecimento dos direitos das mulheres permanece residual no orçamento estadual executado por emendas parlamentares.
Levantamento do Jornal Opção Tocantins, feito no Painel interativo de indicações, empenhos e pagamentos da Assembleia Legislativa, mostra que, dos 1.417 repasses de emendas parlamentares pagos pelos 24 deputados estaduais, apenas uma emenda teve como finalidade direta o fortalecimento de políticas públicas voltadas às mulheres. O valor foi de R$ 50 mil, dentro de um total de R$ 208.629.894 pagos em emendas, montante que corresponde a 0,02% dos recursos transferidos.
O único repasse com esse objetivo foi feito pelo deputado Nilton Franco (Republicanos), que destinou R$ 50 mil ao município de Paraíso do Tocantins, por meio da Secretaria da Mulher, para o Instituto Mulher, com a finalidade de apoio no fortalecimento das políticas públicas para as mulheres no município.
Contexto de violência crescente
Os dados orçamentários se inserem em um cenário em que a violência contra mulheres no estado apresenta aumento da letalidade, conforme estatísticas oficiais da Secretaria da Segurança Pública (SSP). Em 2025, 18 mulheres foram mortas vítimas de feminicídio no Tocantins, cinco a mais do que no ano anterior, mesmo com leve redução no número total de registros.
O assassinato de Ingrid Lorane Negreiros, de 22 anos, morta a facadas pelo marido no último sábado, 3, em Palmas, ocorreu nesse contexto. O caso se soma a uma sequência de mortes registradas ao longo do último ano, que atingiram mulheres em diferentes regiões do estado, dentro e fora do ambiente doméstico.
Em 2024, foram registrados 78 casos de feminicídio, dos quais 13 resultaram em morte. Em 2025, o total caiu para 75 ocorrências, mas com 18 mortes, indicando que os episódios passaram a terminar com desfechos mais graves.
Palmas liderou os registros no último ano, com 11 casos, seguida por Gurupi e Tocantinópolis. A maior parte das ocorrências aconteceu à noite e nos fins de semana, padrão que se manteve entre os dois anos analisados.
