Dorinha não é Janad: aliados reagem a comparação e apontam diferenças de cenário e base eleitoral
05 maio 2026 às 08h29

COMPARTILHAR
Nos bastidores da pré-campanha ao governo, aliados da senadora Dorinha Seabra (União Brasil) têm tratado como inadequada a comparação com o desempenho da deputada estadual Janad Valcari na eleição municipal de Palmas em 2024. A leitura que circula entre interlocutores da pré-candidata parte de um diagnóstico simples: são disputas distintas, com dinâmicas eleitorais diferentes, e que, portanto, não se prestariam a um paralelo direto. A reação aparece diante de análises que tentam aproximar os dois cenários a partir do comportamento inicial das pesquisas.
A lembrança do caso de Palmas ainda pesa no meio político. Janad entrou na corrida com índices acima de 40% em levantamentos de intenção de voto e chegou a ser apontada como favorita para vencer no primeiro turno. O resultado foi outro: a disputa avançou para o segundo turno e terminou com a vitória de Eduardo Siqueira Campos, que havia iniciado a campanha em posição menos competitiva e sem a mesma estrutura de apoios. O episódio passou a ser citado como exemplo de candidatura que alcança um patamar elevado cedo, mas não sustenta crescimento.
No entorno de Dorinha, a avaliação segue outra linha. Um dos pontos citados é a diferença de rejeição. A leitura interna é que Janad carregava um nível de resistência no eleitorado palmense que não se repete, até aqui, no cenário estadual da senadora. Esse fator é tratado como decisivo para explicar a mudança de trajetória entre uma eleição e outra, já que a rejeição tende a limitar a capacidade de expansão de voto em fases mais avançadas da campanha.
Outro argumento recorrente diz respeito à base política construída ao longo dos mandatos de Dorinha como deputada federal e, mais recentemente, como senadora. Aliados apontam que a presença nos municípios, com articulação direta e distribuição de recursos, formou uma rede de apoio considerada mais consolidada e espalhada pelo estado. Diferente de uma eleição concentrada na capital, o pleito estadual exigiria essa capilaridade, o que, na visão desse grupo, altera o comportamento do eleitor e o peso das alianças.
Por fim, a avaliação interna rejeita a ideia de que a pré-candidatura tenha atingido um limite de crescimento neste momento. A comparação com o que chamam de “teto” observado em 2024 é vista como antecipada. A leitura predominante é de que o cenário ainda está em formação e que a disputa estadual tende a incorporar novos elementos ao longo do tempo, com impacto direto na definição do quadro eleitoral.
