Dorinha teria resistência à indicação de Atos Gomes para vice e isso pode ter gerado ruído com o núcleo de Wanderlei
19 maio 2026 às 11h55

COMPARTILHAR
A discussão sobre o vice na pré-candidatura da senadora Dorinha Seabra ao governo do Tocantins passou a produzir os primeiros sinais de tensão dentro da própria base governista. Nos bastidores, interlocutores ligados tanto ao grupo da parlamentar quanto ao entorno do governador Wanderlei Barbosa admitem um desconforto crescente sobre quem ocupará a vaga na chapa majoritária deste ano.
O ponto central do impasse gira em torno do nome de Atos Gomes, ex-secretário de Juventude e Esporte da gestão, considerado integrante do núcleo político mais próximo do governador. A avaliação entre aliados de Wanderlei é que o chefe do executivo deseja manter um nome de confiança pessoal na composição da chapa de Dorinha, inclusive como forma de preservar influência direta no projeto da sucessão.
O problema é que o nome não teria encontrado consenso dentro do grupo político da senadora. Pessoas próximas à parlamentar afirmam que a definição do vice ainda está em aberto e dependerá de critérios políticos e eleitorais, especialmente da capacidade de ampliar a presença da chapa na região Norte do estado, considerada estratégica para a disputa.
Em conversa anterior com o Jornal Opção Tocantins, Dorinha já havia indicado que a escolha passaria por pesquisas e debates internos. Também deixou transparecer que a construção buscaria um nome com peso político “de Araguaína para cima”, numa referência direta ao eleitorado do Bico do Papagaio, norte tocantinense e região de influência de Araguaína.
É justamente nesse ponto que integrantes da base enxergam dificuldade nos nomes atualmente colocados na mesa. O deputado federal Felipe Martins aparece entre os cotados, impulsionado por interlocutores ligados ao pastor Amarildo Martins. Apesar disso, aliados do parlamentar afirmam que o plano principal segue sendo a tentativa de reeleição à Câmara.
Outro nome citado nas conversas é o do coronel Barbosa, ex-comandante-geral da Polícia Militar, que deixou o cargo neste ano após movimento de desincompatibilização para disputar mandato de deputado federal. O militar passou a ser lembrado como alternativa para a vice. O nome do empresário Oswaldo Stival, com presença na região Sul do estado também circula nos bastidores. Assim como do ex-deputado federal Lázaro Botelho, esse sim, da região Norte, também é ventilado nos bastidores, com um agravante dele não ser filiado ao Republicanos, partido comandado por Wanderlei no Tocantins e que não pretende abrir mão de ter um nome da sigla na vice.
Outro nome cotado é do deputado federal Eli Borges (Republicanos), hoje pré-candidato ao Senado. A avaliação dentro da própria base, porém, é que nenhum dos nomes, além de Lázaro Botelho, discutidos até agora possui densidade política consolidada na região Norte, justamente o espaço eleitoral apontado como prioridade dentro da estratégia de Dorinha.
O debate sobre o vice ocorre num momento em que aliados da senadora tentam consolidar a imagem dela como candidata da continuidade administrativa sem perder espaço para uma identidade política própria. Reservadamente, integrantes da base reconhecem que a escolha do companheiro de chapa virou uma discussão sobre o tamanho da influência que o Palácio Araguaia terá na condução da campanha.
Até aqui, nem o grupo de Dorinha nem interlocutores do governador admitem publicamente qualquer crise. Nos bastidores, porém, o tema já passou a ser tratado como o primeiro teste de convivência política entre os dois projetos que hoje caminham juntos na disputa de 2026.
