Eduardo Siqueira deve perder aliados e enfrentar oposição maior na Câmara de Palmas
10 setembro 2026 às 08h17

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A oposição ao prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos), deve crescer na Câmara Municipal. A avaliação circula entre vereadores e também no entorno do prefeito, que já trabalha com a perspectiva de perder aliados na segunda metade do mandato.
Hoje, os principais enfrentamentos com o Paço partem de Thamires, do Coletivo Somos (PT), Débora Guedes (PL) e Vinícius Pires (Republicanos). Nas conversas ouvidas pelo Jornal Opção Tocantins, a conta é que esse grupo pode chegar a até oito vereadores com os movimentos políticos deste período eleitoral.
A Câmara tem 23 vereadores. Um grupo de oito não teria maioria, mas representaria pouco mais de um terço da Casa e daria outra dimensão à oposição, hoje concentrada em três mandatos.
O movimento ocorre justamente quando os vereadores se preparam para uma disputa interna. Na semana da eleição para governador, a Câmara deve definir quem comandará a Casa no próximo biênio. Marilon Barbosa, atual presidente, deve tentar permanecer no cargo. Folha, seu adversário na eleição anterior, também pretende concorrer. Professora Iolanda Castro colocou o nome à disposição, e outros vereadores podem entrar na disputa.
Marilon conhece o peso de cada voto. Na eleição realizada em janeiro de 2025, venceu Folha por 12 a 11, diferença de apenas um voto. Agora, a nova disputa pela presidência acontece num momento em que parte da base de Eduardo já discute qual relação manterá com o Paço.
Menos Paço, mais mandato
Vereadores ouvidos pelo Jornal Opção Tocantins apontam uma razão para possíveis afastamentos que vai além da sucessão da Mesa Diretora. Parte dos parlamentares da base considera que a defesa frequente da administração reduz o espaço para construir uma atuação própria na Câmara.
Vereadores governistas são chamados a sustentar projetos do executivo, responder às críticas da oposição e defender decisões da Prefeitura. Entre parlamentares, há a avaliação de que esse papel pode deixar em segundo plano bandeiras próprias, cobranças e pautas diretamente ligadas ao eleitorado de cada mandato.
O Coletivo Somos aparece como exemplo nessas conversas. Eleito com uma atuação marcada pela fiscalização, o grupo integrou a base de Eduardo e teve espaço na administração municipal. A aproximação com o Paço trouxe cobranças de parte do eleitorado que esperava uma postura mais independente na Câmara.
A ruptura ocorreu durante a crise na Saúde, depois da operação da Polícia Civil que atingiu a gestão municipal. O Somos deixou a base e retomou uma atuação de oposição, com cobranças mais frequentes ao Executivo.
A mudança também passou a ser observada por outros vereadores. A leitura feita dentro da Câmara é que uma posição mais independente pode abrir espaço para pautas próprias e devolver ao parlamentar maior protagonismo sobre o mandato, sem a necessidade permanente de responder pela administração municipal.
Interlocutores de Eduardo também enxergam um componente eleitoral no possível crescimento da oposição. Parte dos vereadores hoje na base mantém relações com grupos políticos que podem estar em campo diferente do prefeito na disputa municipal de 2028.
