Eleição no Tocantins será decidida por 17% que admitem mudar de voto
16 outubro 2026 às 15h06

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Uma parcela de 17% dos eleitores do Tocantins admite mudar de voto até o segundo turno, marcado para 25 de outubro. O dado da pesquisa Quaest, divulgada na quarta-feira, 14, indica que a disputa pelo governo estadual permanece aberta e coloca em discussão fatores que ultrapassam a identificação ideológica: a experiência política dos candidatos, os compromissos assumidos durante a campanha, a relação com a atual administração e a instabilidade jurídica associada às investigações que citam o candidato Vicentinho Júnior (PSDB), como a operação Overclen.
A diferença entre os dois candidatos foi de apenas 1,58 ponto percentual no primeiro turno, quando Professora Dorinha (União Brasil) obteve 45,52% dos votos válidos, contra 43,94% de Vicentinho. A senadora, que venceu aquela etapa, tem a seu favor uma trajetória ligada à educação, à destinação de recursos federais e à relação com os municípios. Sua atuação no Congresso, primeiro como deputada federal e depois como senadora, manteve uma linha política relativamente estável, com prioridade para políticas sociais e investimentos públicos. O apoio do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), entretanto, vincula sua candidatura à continuidade da atual gestão, justamente um dos principais pontos explorados pelo adversário.
Vicentinho procura associar sua candidatura à alternância de poder, embora também acumule 12 anos de atuação na Câmara dos Deputados. Na quarta-feira, 14, a revista Veja publicou reportagem sobre a investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de corrupção envolvendo o parlamentar na Operação Overclean. Segundo a publicação, a PF identificou indícios de que o deputado teria recebido ao menos R$ 420 mil em pagamentos para supostamente favorecer uma empresa contratada pelo governo estadual. O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, rejeitou pedidos de busca e apreensão e bloqueio de bens por considerar insuficientes os elementos apresentados. Vicentinho não foi indiciado nem denunciado, e a investigação permanece em andamento. O candidato nega irregularidades e afirma ser ficha limpa.
A divisão do eleitorado tocantinense ocorre num momento de equilíbrio também na disputa nacional. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira, 15, registrou Flávio Bolsonaro (PL) com 51% dos votos válidos, contra 49% do presidente Lula (PT), resultado considerado empate técnico. Levantamento CNT/MDA divulgado nesta sexta-feira, 16, apontou 50,5% para Flávio e 49,5% para Lula, também em empate técnico. A proximidade dos números mostra que as duas eleições chegam aos últimos dias de campanha sem definição nas pesquisas, embora as disputas estadual e nacional tenham características próprias.
A dez dias da votação, a parcela de 17% disposta a rever o voto representa um desafio para as duas candidaturas. Dorinha tem a possibilidade de apresentar sua experiência parlamentar, a atuação nos municípios e os compromissos sociais como argumentos de continuidade, sem deixar de responder às críticas à atual administração. Vicentinho, por sua vez, precisa dar conteúdo à proposta de mudança e esclarecer os questionamentos decorrentes da investigação policial, que podem alimentar dúvidas sobre a estabilidade política e jurídica de um eventual governo seu. Num segundo turno precedido por uma diferença estreita nas urnas, ambos têm pela frente a tarefa de apresentar razões concretas para conquistar a confiança de quem ainda admite mudar de escolha.
Sobre a pesquisa: O levantamento Quaest foi encomendado pela TV Anhanguera, afiliada da TV Globo, ao custo de R$ 160.308, e registrado na Justiça Eleitoral sob o número TO-03829/2026. Foram entrevistados presencialmente 1.098 eleitores com 16 anos ou mais, entre os dias 10 e 13 de outubro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
