Em ano de El Niño, Tocantins não recebe emendas do Congresso para gestão ambiental
22 junho 2026 às 16h40

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Em um ano marcado pela influência do El Niño, o Tocantins não recebeu nenhuma emenda parlamentar federal voltada à gestão ambiental em 2026, segundo levantamento feito pelo Jornal Opção Tocantins na Central de Emendas nesta segunda-feira, 22. A última emenda registrada para a área de gestão ambiental ocorreu em 2025, quando a senadora Professora Dorinha destinou R$ 400 mil à ação “Implementação da Agenda Nacional de Proteção, Defesa, Bem-Estar e Direitos Animais”.
Do total empenhado, R$ 382 mil foram destinados ao município de Palmas e R$ 18 mil classificados como destinados ao estado de forma geral. Os recursos estão vinculados à função de gestão ambiental e, conforme os registros orçamentários, R$ 382 mil já foram efetivamente pagos.
Nos últimos dez anos, os registros indicam o cadastramento de sete emendas parlamentares para a área de gestão ambiental no Tocantins, somando R$ 1,88 milhão em valores empenhados.
Apesar do montante, apenas R$ 300 aparecem como pagos no exercício corrente. O painel também registra R$ 802,13 mil quitados em restos a pagar (RAP), referentes a despesas empenhadas em anos anteriores e pagas posteriormente.
Os dados sugerem que parte relevante dos recursos anunciados ao longo do período não se converteu em execução imediata, dependendo de pagamentos acumulados ao longo dos anos seguintes.
Defesa nacional e Defesa Civil sem repasses ao Tocantins
No recorte da Defesa Nacional, incluindo subfunções como controle ambiental e recursos hídricos, não há registro de emendas destinadas ao Tocantins nos últimos dez anos. Em nível nacional, apenas uma emenda de R$ 149 mil foi empenhada para a área em 2026.
Já a Defesa Civil também não recebeu emendas destinadas ao estado no mesmo período. No conjunto do país, o volume registrado em 2026 chega a R$ 3,26 milhões, distribuídos em ações pontuais.
El Niño intensifica desafios climáticos no Tocantins
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e influencia o regime de chuvas em diversas regiões do planeta, incluindo o Brasil. No Tocantins, os efeitos costumam se concentrar na irregularidade das chuvas, aumento das temperaturas e maior risco de incêndios florestais durante a estação seca. Em anos sob influência do fenômeno, o estado pode registrar redução no volume de chuvas ou atraso no início do período chuvoso, o que afeta diretamente a disponibilidade de água no solo e nos cursos d’água.
Essas condições impactam o abastecimento em áreas rurais, reduzem a vazão de rios e córregos e prejudicam atividades agrícolas dependentes do regime regular de chuvas.
O aumento das temperaturas, já característico do clima tocantinense, tende a se intensificar em períodos de El Niño. O calor mais elevado acelera a evaporação da água em reservatórios e solos, agravando o estresse hídrico em diferentes regiões do estado. Inserido no bioma Cerrado, o Tocantins enfrenta maior vulnerabilidade a incêndios florestais durante a estação seca. A combinação de calor, baixa umidade e vegetação seca favorece a propagação do fogo e eleva o número de focos de calor.
