Após a oficialização das candidaturas para as eleições de 2026, os planos de governo apresentados pelos candidatos passaram a integrar o debate eleitoral no Tocantins. Entre eles está o programa de Vicentinho Júnior (Progressistas) e Amélio Cayres, que propõe mais de 280 medidas distribuídas em 28 eixos temáticos para uma eventual gestão entre 2027 e 2030.

O documento apresenta como uma de suas principais diretrizes a transformação do Tocantins em um “Estado-Plataforma”, com uso de tecnologia, parcerias público-privadas e ferramentas digitais na administração pública. A proposta também aposta na modernização da economia, na sustentabilidade, na regionalização dos serviços de saúde e em mecanismos de apoio aos municípios.

Entre as propostas estão a construção de cinco novos hospitais, a implantação de 50 escolas de tempo integral, programas de qualificação profissional, medidas para reforçar a segurança no campo e ferramentas digitais para fiscalização, atendimento ao cidadão e acompanhamento de obras.

Tecnologia é um dos principais eixos

A digitalização da administração pública ocupa espaço central no plano. Uma das propostas é utilizar blockchain nos registros fundiários do Estado, com o objetivo de reforçar a segurança jurídica das informações sobre terras. Na área tributária, o programa prevê a chamada Sefaz 5.0, com processamento das notas fiscais eletrônicas em tempo real por meio de inteligência artificial e supercomputadores. A intenção apresentada é combater a sonegação e agilizar o atendimento aos contribuintes.

O plano também propõe a implantação do “Governo Sem Papel”, com um cronograma para reduzir e eliminar o uso de impressoras nas secretarias, além de um Portal de Obras Georreferenciado, que permitiria acompanhar obras estaduais por meio de mapas digitais. Outra proposta é a criação de um Sandbox Regulatório, espaço destinado a testar soluções desenvolvidas por startups, além do uso de sensores de bioacústica em parques estaduais para auxiliar no combate ao desmatamento ilegal.

Saúde prevê cinco novos hospitais e “Fila Zero”

Na saúde, uma das principais metas apresentadas é a construção de cinco novos hospitais, sendo três unidades regionais e dois centros especializados. A proposta utiliza o modelo Build to Suit (BTS), no qual estruturas são construídas com recursos privados e posteriormente alugadas pelo Estado.

O plano também prevê o programa “Fila Zero (Corujão)”, com contratação de hospitais privados para realização de cirurgias eletivas durante a noite. A estratégia pretende aumentar a capacidade de atendimento e reduzir a espera por procedimentos.

Para regiões remotas, estão previstas uma base de suporte de UTI aérea em Palmas e uma lancha equipada no Cantão. O documento ainda propõe telemedicina especializada em municípios, permitindo consultas com profissionais como cardiologistas e dermatologistas. Outra medida é a Farmácia Cidadã Digital, aplicativo que permitiria consultar o estoque de medicamentos em tempo real.

O plano também prevê a contratação de Organizações Sociais para administrar hospitais, com metas de desempenho e satisfação dos usuários.

Educação terá escolas integrais, intercâmbio e qualificação

Na educação, o plano prevê a construção de 50 escolas de tempo integral, também utilizando o modelo BTS.

Entre as propostas está o programa “Tocantins para o Mundo”, destinado a estudantes com bom desempenho e que prevê intercâmbios em centros tecnológicos das Américas, Europa e Ásia. O programa Primeiro Passo Tech deverá oferecer bolsas de qualificação profissional utilizando laboratórios de instituições públicas e privadas. Também há previsão de ampliar a Bolsa Permanência para estudantes em situação de vulnerabilidade e criar um programa de estágios para jovens e recém-formados em órgãos estaduais.

As propostas incluem ainda o Voucher Profissionalizante, para garantir o acesso a cursos técnicos oferecidos pelo Sistema S, sem a necessidade de construção de novas unidades físicas.

Segurança terá foco em áreas rurais e tecnologia

Na segurança pública, o plano propõe um “Cinturão de Segurança” em pontes e balsas, com o objetivo de reforçar o controle das entradas e saídas do Tocantins.

Para a zona rural, a proposta é criar uma Patrulha Rural Georreferenciada, com propriedades cadastradas e identificadas por placas com QR Code nas porteiras. O sistema seria utilizado para facilitar a localização das propriedades e agilizar a resposta policial.

O programa também prevê a implantação do sistema ABIS, voltado à identificação e rastreamento de armas, além de uma Delegacia Virtual 4.0 com uso de inteligência artificial para triagem de ocorrências. Para mulheres em situação de risco, o plano propõe um aplicativo de Botão do Pânico integrado ao GPS das viaturas. Também está prevista a criação do Habite Seguro TO, com doação de terrenos para associações de agentes de segurança.

Agronegócio aposta em tecnologia e sustentabilidade

Na economia rural, o programa apresenta propostas voltadas à chamada agricultura 5.0. Uma delas é o Seguro Rural Paramétrico, com subsídio estadual e pagamento automático em situações de perdas provocadas por eventos climáticos identificados por monitoramento via satélite. O plano também prevê apoio para produtores fabricarem os próprios bioinsumos e incentivos à produção de carne de baixo carbono, com certificação para sistemas de integração entre lavoura, pecuária e floresta.

Outra proposta é a criação de usinas comunitárias de energia solar em bairros de baixa renda, por meio de parcerias público-privadas, para reduzir os custos das contas de energia.

Infraestrutura

Além dos hospitais e escolas, o modelo BTS aparece na proposta de construção de presídios industriais. A ideia é utilizar estruturas voltadas a atividades produtivas como parte das estratégias de ressocialização e geração de renda para as famílias dos detentos.

Para os municípios menores, o plano prevê a criação de uma “Fábrica de Projetos” dentro da Secretaria do Planejamento. O escritório deverá elaborar gratuitamente projetos de engenharia e arquitetura para ajudar prefeituras a buscar recursos federais. Na área de transporte, aparecem as chamadas Rodovias Inteligentes, com pesagem de caminhões em movimento e estudos para implantação de sistemas de pedágio sem cancelas.

O programa ainda propõe Zonas de Desenvolvimento Especial, com regimes fiscais específicos para estimular a instalação de indústrias em municípios localizados nas divisas do Estado.

Jovens terão programas de qualificação e primeiro emprego

A juventude aparece entre os públicos com propostas específicas. Além do intercâmbio internacional e do Primeiro Passo Tech, o plano prevê incentivos fiscais para empresas que contratarem jovens no comércio e nos serviços.

Também está prevista a ampliação da Bolsa Permanência para estudantes em situação de vulnerabilidade e a criação de espaços chamados Bibliotecas Parque, com estúdios de gravação e estruturas de tecnologia maker. Para quem concluiu a formação, a proposta é criar um programa de estágios e oportunidades de primeira experiência profissional dentro de órgãos estaduais.

População LGBTQIA+ terá eixo específico

A população LGBTQIA+ é contemplada pelo Eixo 26, dedicado à Diversidade. Entre as medidas estão ações de saúde voltadas à população trans, com atendimento psicológico especializado. O programa também propõe iniciativas de qualificação profissional e inclusão no mercado de trabalho, especialmente para pessoas trans, além do fortalecimento da proteção contra crimes motivados por preconceito.

Na educação, estão previstas ações de combate ao bullying e garantia do uso do nome social nas instituições de ensino.

Quilombolas e indígenas

Para comunidades quilombolas, o plano prevê ações de proteção às mulheres por meio da Ronda Maria da Penha Rural, com patrulhamento especializado em assentamentos e comunidades quilombolas. O documento também prevê apoio financeiro e logístico para festas tradicionais e ações de preservação do patrimônio cultural de comunidades quilombolas e indígenas.

Entre as propostas relacionadas aos povos indígenas, está a criação de protocolos de consulta específicos para cada etnia antes da realização de grandes obras que possam afetar seus territórios.

Mulheres terão aluguel social e proteção no campo

Entre as propostas voltadas às mulheres está o Aluguel Social Mulher, destinado temporariamente a vítimas de violência doméstica para que possam deixar suas residências e romper o ciclo de violência. O plano também prevê a Ronda Maria da Penha Rural, com veículos 4×4 para atendimento em áreas rurais, assentamentos e comunidades quilombolas.

Pessoas com deficiência e proteção animal

Para pessoas com deficiência, o programa prevê a criação das Casas TEA (CETEA), voltadas ao atendimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista e suas famílias. Na habitação, a proposta estabelece reserva de 10% das casas adaptadas em programas habitacionais.

Já na proteção animal, o plano prevê ampliar a castração gratuita, realizar a microchipagem de animais de rua e intensificar o combate ao tráfico de fauna silvestre.