O primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Tocantins teve tom morno nesta terça-feira, 18, e deixou a impressão de que os concorrentes ainda precisam ajustar a forma de apresentar suas propostas ao tempo curto da televisão. A dinâmica abriu espaço para confronto e discussão dos principais problemas do estado, mas boa parte das respostas terminou sem que o eleitor tivesse clareza sobre o que cada candidato pretende fazer e, principalmente, como pretende executar suas propostas.

Participaram Dorinha Seabra (União Brasil), Vicentinho Júnior (PSDB), Laurez Moreira (PSD), Ataídes Oliveira (Novo), professor Witer (Psol) e Du Pereira (DC). O formato foi dividido em cinco blocos: apresentação, perguntas de tema livre entre os candidatos, questões sobre temas específicos, perguntas de jornalistas e considerações finais.

A organização permitiu que os participantes falassem sobre segurança pública, saúde, infraestrutura e economia e também escolhessem adversários para questionamentos diretos. O problema esteve menos no formato e mais no aproveitamento dele. Em diferentes momentos, candidatos gastaram parte relevante do tempo na introdução das respostas, demoraram a chegar às propostas ou foram interrompidos pelo cronômetro justamente quando começavam a explicar o que fariam.

Faltou, sobretudo, uma comunicação mais ajustada ao eleitor. Em um primeiro debate, no início da campanha, havia espaço para que os candidatos apresentassem suas credenciais, apontassem prioridades e explicassem de maneira simples o que pretendem fazer no governo. A maior parte conseguiu cumprir apenas parte dessa tarefa. O domínio das regras de pergunta, resposta, réplica e tréplica também oscilou durante o encontro.

O momento de maior tensão ocorreu no bloco de tema livre. Ataídes escolheu Vicentinho e levou para o debate a Operação Overclean. Citou informações de relatório da Polícia Federal sobre movimentações financeiras de uma empresa registrada em nome da mulher do adversário e cobrou explicações. Vicentinho contestou os questionamentos, disse que divulgará documentos relacionados ao caso e afirmou não ter condenação que pese contra seu mandato, CPF ou nome.

Vicentinho aparece no inquérito da Overclean, mas não está entre os 25 indiciados pela Polícia Federal nesta etapa da operação. O episódio colocou o candidato do PSDB diante do confronto mais direto da noite e deu a Ataídes a oportunidade de seguir a linha de cobrança que já vinha adotando fora do debate.

O candidato do Novo, porém, não demonstrou a mesma disposição para buscar um confronto direto com Dorinha. Ataídes seguiu pelo caminho esperado quando encontrou espaço para questionar Vicentinho, mas o debate não produziu um embate equivalente entre ele e a candidata apoiada pelo governador Wanderlei Barbosa (Republicanos).

Outro confronto ocorreu entre Du Pereira e Laurez. Du questionou as exonerações e decisões tomadas pelo adversário durante os cerca de 90 dias em que esteve no comando do Tocantins. Laurez governou entre setembro e dezembro de 2025, quando Wanderlei ficou afastado do cargo por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e respondeu com uma defesa das medidas adotadas naquele período.

A passagem pelo Palácio Araguaia apareceu como um dos principais argumentos de Laurez. Ele buscou apresentar os três meses de governo como demonstração do que faria caso fosse eleito para um mandato completo, enquanto Du Pereira tentou usar decisões daquele período para questionar a gestão do adversário.

Entre os candidatos mais conhecidos, Vicentinho teve mais oportunidades para desenvolver o discurso sobre infraestrutura. O assunto apareceu para ele no bloco de temas específicos e voltou em uma pergunta feita por jornalista. Com duas intervenções sobre a mesma área, conseguiu dedicar mais tempo a um dos assuntos que pretende associar à candidatura.

Dorinha ficou mais tempo diante da saúde, área delicada para uma candidata que recebe o apoio do atual governo. A senadora procurou apresentar propostas para o setor, mas também precisou responder a problemas da rede estadual e defender avanços que atribui à administração Wanderlei. A posição impôs a ela uma tarefa dupla durante o debate: falar sobre o governo que pretende fazer sem deixar sem resposta os questionamentos sobre aquele ao qual está politicamente vinculada.

Para Witer e Du Pereira, o encontro tinha um peso adicional. Menos conhecidos em escala estadual do que Dorinha, Vicentinho, Laurez e Ataídes, os dois tinham no debate uma oportunidade para apresentar trajetória, posições e propostas a um público que ainda começa a conhecer as candidaturas. Ambos conseguiram usar parte das intervenções para essa apresentação, embora também tenham esbarrado na dificuldade geral de condensar as respostas dentro do tempo disponível.

As considerações finais reforçaram uma oportunidade que poderia ter sido mais explorada ao longo da noite: falar diretamente com o eleitor. Pedir voto, apresentar credenciais e resumir prioridades são tarefas básicas de um debate eleitoral, sobretudo no começo de uma campanha. Houve momentos desse tipo, mas faltou transformar cada intervenção em uma mensagem mais clara sobre quem é o candidato, o que pretende fazer e como pretende governar.

O resultado foi um debate sem grandes vencedores ou derrotados aparentes e com poucos momentos capazes de alterar, por si só, a percepção sobre as candidaturas. O formato ofereceu condições para uma discussão mais consistente. No primeiro encontro, porém, os seis candidatos ainda mostraram que precisam aprender a usar melhor o relógio — e o espaço que ele oferece — para chegar ao eleitor.