Em Palmas, agiota ameaçava filhos e animais de vítimas para cobrar dívidas, aponta inquérito
13 janeiro 2026 às 18h02

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Um homem de 32 anos foi indiciado por extorsão após investigar-se que ele atuava como agiota em Palmas, usando ameaças, intimidações e coação psicológica para cobrar dívidas de vítimas e familiares. A apuração foi concluída pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC/Palmas) e encaminhada ao Poder Judiciário.
Segundo a investigação, o suspeito, identificado pelas iniciais I.A.J., concedia empréstimos informais de dinheiro e cobrava os valores por meio de mensagens em aplicativos, telefonemas e abordagens presenciais. Em diversos casos, a pressão extrapolava as vítimas diretas e atingia parentes próximos, utilizados como forma de ampliar o constrangimento.
Os relatos reunidos no inquérito apontam que o homem ameaçava prejudicar filhos, matar animais domésticos e divulgar informações pessoais e profissionais das vítimas. Familiares como pais, cônjuges e outros parentes também teriam sido coagidos a assumir os pagamentos exigidos.
Para a Polícia Civil, o padrão das ações caracteriza coação psicológica contínua, o que enquadra a conduta como extorsão, e não apenas cobrança de dívida. O crime está previsto no artigo 158 do Código Penal, que trata da obtenção de vantagem econômica mediante ameaça.
O suspeito foi preso no dia, 19 de novembro de 2025, no aeroporto de Palmas, após decisão judicial baseada nos elementos colhidos ao longo da investigação. Entre as provas reunidas estão depoimentos das vítimas, registros de ocorrência, análise de mensagens, além de comprovantes de transferências bancárias.
Ouvido durante o procedimento, o investigado negou as acusações e apresentou uma versão própria dos fatos. A Polícia Civil, no entanto, afirma que o relato não se sustentou diante do conjunto de provas reunidas.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Wanderson Queiroz, a agiotagem é crime conforme a Lei nº 1.521/1951 e, quando a cobrança envolve ameaça ou violência, passa a configurar extorsão. Para ele, o enfrentamento desse tipo de prática é estratégico no combate ao crime organizado.
Segundo o delegado, “o combate a esses crimes é essencial, porque máfias e organizações criminosas surgem de pequenos delitos que acabam por criar cartéis e, ao se tornarem economicamente fortes, passam a cometer extorsões, sequestros, torturas e até homicídios”, afirmou.
A Polícia Civil orienta que vítimas de extorsão, agiotagem ou ameaças procurem os canais oficiais de denúncia, para evitar a continuidade das práticas e a escalada da violência.
