Empresa responsável por programa de jovens aprendizes no Tocantins é investigada por suspeita de lavagem de dinheiro
13 maio 2026 às 09h49

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A Polícia Civil de São Paulo investiga contratos da Rede Nacional de Aprendizagem, Promoção Social e Integração (Renapsi) com órgãos públicos por suspeita de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). No Tocantins, a entidade mantém contrato com o Governo do Estado para execução do programa Jovem Trabalhador.
O principal investigado é o empresário goiano Adair de Freitas Meira, fundador da Renapsi, preso no fim de abril, em Goiânia. Segundo a investigação, ele teria movimentado cerca de R$ 30 milhões por meio da entidade e de outras empresas ligadas ao grupo empresarial.
Apesar de auditorias e sindicâncias apontarem possíveis irregularidades envolvendo a atuação da Renapsi desde 2021, o Governo do Tocantins firmou, em julho de 2022, contrato superior a R$ 107 milhões com a instituição.
Entre os apontamentos levantados estavam suspeitas de pagamentos a jovens aprendizes que não participariam efetivamente do programa. O contrato chegou a ser suspenso em meio a questionamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e de auditorias internas, mas acabou mantido para garantir o pagamento de aproximadamente 1,5 mil beneficiários.
Atualmente, a entidade recebe cerca de R$ 2 milhões mensais do governo estadual para administrar o programa de aprendizagem.
As investigações apontam que Adair Meira teria autorizado transferências milionárias da Renapsi para a fintech 4TBank, apontada pela polícia como utilizada pelo PCC para movimentações financeiras. O banco digital seria comandado por João Gabriel Iaoamaki, identificado pelos investigadores como operador do esquema.
De acordo com a Polícia Civil, a instituição utilizava um endereço em Palmas, na Avenida Teotônio Segurado, como base operacional para movimentação de recursos financeiros.
João Gabriel foi preso no Tocantins, em março, durante operação que apreendeu cerca de meia tonelada de cocaína. Em abril, ele foi transferido para São Paulo.
A defesa de João Gabriel afirmou que ele é inocente, negou qualquer vínculo com organização criminosa e disse que só irá se manifestar de forma detalhada após eventual denúncia formal.
Em nota, a Secretaria de Estado do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas) afirmou que o programa Jovem Trabalhador não é alvo da investigação conduzida em São Paulo. Segundo a pasta, os contratos seguem critérios legais e contam com acompanhamento do Ministério Público Estadual.
O governo também declarou que não é atribuição da secretaria monitorar movimentações financeiras de pessoas físicas ou instituições contratadas.
A Polícia Civil de São Paulo informou que pretende notificar estados e municípios que possuem contratos com a Renapsi para evitar novos repasses de recursos públicos enquanto as investigações prosseguem.
A defesa de Adair Meira negou qualquer ligação do empresário com organizações criminosas e afirmou que as acusações não possuem base concreta. Os advogados sustentam ainda que ele não ocupa cargo de direção na Renapsi.
Já a entidade declarou que não é alvo da investigação e afirmou que Adair Meira não integra atualmente seus conselhos ou estrutura administrativa. A Renapsi disse ainda que mantém compromisso com a transparência e com programas de inclusão de jovens no mercado de trabalho (com informações do G1).
