A investigação da Polícia Federal que alcança o deputado federal e candidato ao governo do Tocantins Vicentinho Júnior (PSDB) voltou ao debate eleitoral nesta sexta-feira, 25. Durante confronto na TV Norte, Ataídes Oliveira (Novo) questionou o tucano sobre a Operação Overclean e citou a movimentação de R$ 170 milhões pela GMD Borba Distribuidora Eireli, empresa registrada em nome de Gillaynny Marjorie Duarte Borba de Oliveira, mulher de Vicentinho.

O valor de R$ 170 milhões corresponde à soma das entradas e saídas identificadas pela PF nas contas da empresa entre janeiro de 2019 e abril de 2025. Foram cerca de R$ 85 milhões em créditos e outros R$ 85 milhões em débitos. Portanto, a investigação não afirma que a empresa recebeu R$ 170 milhões: esse é o total movimentado ao considerar o dinheiro que entrou e saiu das contas no período. A PF apontou a GMD Borba como uma possível “conta de passagem”.

A relação investigada com Vicentinho não se limita ao volume global movimentado pela empresa. Uma planilha apreendida com os empresários Fábio e Alex Parente continha registros atribuídos ao codinome “VIC”. Segundo a PF, valores e datas anotados no documento coincidiram com transferências destinadas à GMD Borba. Os investigadores atribuíram o codinome ao deputado.

Entre 2023 e 2024, a BRA Teles, empresa ligada aos irmãos Parente, transferiu R$ 260 mil para a GMD Borba. Ao considerar também operações feitas por outros intermediários, a investigação apontou R$ 420 mil em supostos repasses relacionados a Vicentinho e à mulher dele. Em relatório, a PF afirmou ter alcançado “elevado grau de certeza” de que valores registrados na planilha sob o codinome “VIC” teriam sido destinados ao parlamentar por meio da empresa de Gillaynny. A conclusão é da Polícia Federal e é contestada por Vicentinho.

Contrato no Tocantins está na origem da apuração

A frente da Overclean relacionada ao Tocantins alcançou um contrato da Larclean Saúde Ambiental com o governo estadual. A empresa, ligada aos irmãos Parente, venceu em 2020 uma licitação para serviços de dedetização. O contrato tinha valor inicial de R$ 13,6 milhões e recebeu aditivos que o elevaram a R$ 59,2 milhões. A PF apontou suspeitas de direcionamento da licitação e de sobrepreço.

Foi no avanço dessa investigação que os policiais chegaram às transferências para a GMD Borba e fizeram o cruzamento com os registros encontrados na planilha apreendida. A movimentação total de R$ 170 milhões, portanto, não corresponde ao valor que a PF aponta como suposto pagamento relacionado ao esquema. O montante especificamente relacionado pelos investigadores aos repasses é de R$ 420 mil.

Nunes Marques negou buscas e bloqueio

Com base nos elementos reunidos, a Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal autorização para realizar busca e apreensão e bloquear R$ 420 mil em bens de Vicentinho e da mulher. A Procuradoria-Geral da República se manifestou contra as medidas e o ministro Kassio Nunes Marques, relator do caso, negou os pedidos.

Na decisão, Nunes Marques considerou que os elementos apresentados naquele momento não demonstravam conexão suficiente entre Vicentinho e os fatos investigados na Overclean. A decisão rejeitou as medidas cautelares solicitadas pela PF. Vicentinho também não aparece entre as 25 pessoas indiciadas em uma etapa da operação divulgada neste ano. A investigação relacionada ao parlamentar, no entanto, permaneceu aberta, conforme informações publicadas sobre o andamento do inquérito.

Vicentinho nega irregularidades

Vicentinho sustenta que a decisão do STF afastou sua ligação com a Overclean. O deputado afirmou anteriormente que a GMD Borba era uma distribuidora de seu sogro, morto em abril de 2024, e que os pagamentos identificados pela investigação estavam relacionados a “rotinas da minha vida pessoal”. Também disse já ter prestado os esclarecimentos necessários no processo.

O assunto já havia sido levado por Ataídes a outro debate da campanha, em agosto, quando o candidato do Novo citou os R$ 85 milhões que entraram nas contas da empresa. Nesta sexta-feira, Ataídes retomou o caso e mencionou os R$ 170 milhões — cifra que inclui os R$ 85 milhões em créditos e o mesmo montante em débitos — durante novo confronto com Vicentinho. O tucano voltou a negar irregularidades.