O plano de ampliar a exploração de urânio no Brasil avança mesmo com a indefinição sobre a retomada da usina nuclear de Angra 3, parada há 11 anos. Nesse movimento, o Tocantins passou a integrar o grupo de Estados apontados como estratégicos para novos projetos de mineração do mineral, ao lado da Bahia, Goiás, Paraíba e Paraná.

Nas próximas semanas, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a ENBPar e a Indústrias Nucleares do Brasil (INB) devem concluir a contratação de consultorias para estruturar parcerias com a iniciativa privada em até cinco regiões do País. O objetivo é ampliar a capacidade produtiva, garantir autossuficiência no fornecimento de urânio para as usinas nucleares nacionais e viabilizar a exportação de eventual excedente.

O Brasil está entre os seis países com maiores reservas de urânio do mundo, embora menos de um terço do território tenha sido prospectado. A abertura do setor à iniciativa privada, aprovada em 2022, é vista pelo governo federal como essencial para acelerar pesquisas e atrair investimentos, especialmente em Estados ainda pouco explorados, como o Tocantins.

Atualmente, apenas a mina de Caetité, na Bahia, está em operação, abastecendo as usinas de Angra 1 e 2. Já outros projetos seguem em diferentes estágios, como o de Santa Quitéria, no Ceará, que aguarda licença ambiental há quase duas décadas. Mesmo assim, o cenário internacional tem impulsionado o interesse pelo mineral: o preço do urânio superou US$ 85 a tonelada em janeiro de 2026, quase o dobro do valor registrado cinco anos atrás.

Especialistas avaliam que a regulamentação definitiva da lei que permite parcerias entre a INB e empresas privadas, prevista para este ano, será decisiva para transformar Estados como o Tocantins em novos polos de exploração mineral ligada ao setor nuclear.