Instituições de segurança pública de todo o Brasil passaram a contar com uma ferramenta gratuita desenvolvida no Tocantins para auxiliar na extração de evidências digitais em aparelhos celulares apreendidos. Denominada MOB158, a aplicação foi criada pelo delegado de Polícia Civil Fellipe Crivelaro para apoiar policiais na documentação de informações armazenadas em dispositivos móveis, observando os requisitos legais relacionados à cadeia de custódia digital.

O nome da ferramenta faz referência à palavra inglesa mobile (celular) e ao artigo 158 do Código de Processo Penal, que trata da cadeia de custódia das evidências. A aplicação possibilita a realização de capturas de tela (screenshots) e gravações da tela (screen recorder) em aparelhos com sistema Android, produzindo registros organizados que podem ser utilizados em investigações criminais.

De acordo com as funcionalidades da plataforma, todo o processo de extração das evidências é realizado conforme as normas previstas nos artigos 158-A e seguintes do Código de Processo Penal, que estabelecem regras para a preservação da cadeia de custódia das provas digitais.

Para assegurar a autenticidade das evidências coletadas, a ferramenta gera automaticamente hashes criptográficos, que funcionam como uma impressão digital única de cada arquivo produzido. Caso qualquer imagem ou vídeo seja alterado posteriormente, mesmo que de forma mínima, o hash também será modificado, permitindo identificar alterações no material. Esse procedimento é utilizado na perícia digital para demonstrar que o conteúdo permaneceu íntegro desde a coleta.

A plataforma também utiliza chaves PEM, padrão internacional empregado para armazenamento de certificados e chaves criptográficas. O recurso possibilita a assinatura digital dos arquivos produzidos, conferindo autenticidade ao material e permitindo verificar que os registros foram gerados pela ferramenta.

Outro recurso disponível é a personalização do relatório de extração. O sistema permite que cada instituição inclua sua identidade visual, além de informações como o número do procedimento policial e a identificação do envelope de vestígio, com o objetivo de facilitar a documentação e o gerenciamento da prova digital.