Filhas e marido são indiciados por morte de empresária no Tocantins com suspeita de motivação financeira
07 abril 2026 às 11h22

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A Polícia Civil do Tocantins indiciou, nesta segunda-feira, 6, duas filhas e o marido da servidora pública e empresária Deise Carmem de Oliveira Ribeiro, de 55 anos, pela morte da vítima, cujo caso passou a ser investigado após o desaparecimento registrado logo depois do Natal de 2025, em circunstâncias que levantaram suspeitas e mobilizaram diligências policiais ao longo dos dias seguintes.
De acordo com o inquérito conduzido pela 94ª Delegacia de Polícia de Peixe, com apoio da 8ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC) de Gurupi, a investigação reuniu elementos que indicam a existência de um plano previamente articulado pelas filhas, Déborah de Oliveira Ribeiro e Roberta de Oliveira Ribeiro, que, segundo o delegado responsável pelo caso, João Paulo Sousa Ribeiro, viam a mãe como um obstáculo para o acesso a bens da família, em um contexto de conflitos familiares associados a interesses financeiros.
As apurações apontam que, no dia 26 de dezembro de 2025, a vítima foi levada até uma área rural nas proximidades da Vila Quixaba, onde foi morta com golpes de faca, tendo o corpo sido posteriormente descartado no Rio Santa Tereza, na zona rural do município de Peixe, sendo localizado apenas em 1º de janeiro de 2026, já em estado avançado de decomposição, após um morador da região avistar o cadáver e acionar o Corpo de Bombeiros.
Segundo a Polícia Civil, após o crime, as investigadas teriam adotado medidas para dificultar a identificação do ocorrido e retardar o início das buscas, entre elas a compra de um aparelho celular em nome da vítima, utilizado para o envio de mensagens a familiares com o objetivo de simular que Deise teria deixado o convívio por iniciativa própria, estratégia que, conforme a investigação, contribuiu para enganar parentes e autoridades no período inicial.
O marido da vítima, José Roberto Ribeiro, também foi indiciado, conforme o relatório policial, por supostamente ter atuado na eliminação de registros considerados relevantes para o esclarecimento dos fatos após o crime, enquanto os três investigados permanecem presos preventivamente desde fevereiro.
Em manifestação encaminhada à imprensa, a defesa dos suspeitos informou que recebeu o relatório final com serenidade e afirmou que a conclusão do inquérito representa uma etapa do processo, destacando que pretende contestar judicialmente os pontos levantados pela investigação e que identificou lacunas na narrativa apresentada, especialmente quanto à ausência, segundo os advogados, de elementos técnicos que sustentem determinadas conclusões.
A defesa também ressaltou que, conforme o próprio relatório policial, não teriam sido reunidos elementos suficientes para vincular José Roberto Ribeiro à execução do homicídio ou à ocultação do cadáver, sustentando que o indiciamento do investigado se limita à suposta supressão de mensagens digitais, e reiterou que adotará todas as medidas legais cabíveis para assegurar o exercício do contraditório e da ampla defesa.
O caso foi encaminhado ao Ministério Público do Tocantins, que deverá analisar o material produzido pela investigação e decidir sobre o eventual oferecimento de denúncia à Justiça.
