A definição do candidato a vice-governador no Tocantins para as eleições deste ano ganhou peso estratégico diante do histórico de rupturas entre titulares e vices no estado. Casos recentes e passados indicam que alianças firmadas no período eleitoral nem sempre se sustentam ao longo do mandato.

O exemplo mais emblemático envolve o atual governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e o vice Laurez Moreira (PSD), hoje publicamente rompidos. A relação se deteriorou após o afastamento de Wanderlei do cargo, em setembro do ano passado, quando Laurez assumiu interinamente o governo. À época, Wanderlei divulgou vídeo no qual afirmou que teria tomado conhecimento prévio de uma suposta articulação do vice para seu afastamento. Laurez nega qualquer participação ou conspiração.

O episódio agravou a crise política entre os dois e impactou diretamente o cenário eleitoral. Essa ruptura seria um dos motivos para Wanderlei não disputar uma vaga ao Senado, uma vez que a renúncia ao cargo poderia recolocar o governo nas mãos de um adversário político.

A situação remete ao período em que o próprio Wanderlei era vice do então governador Mauro Carlesse (PSD). A relação entre ambos já era considerada distante quando Carlesse foi afastado do cargo e, posteriormente, renunciou. Wanderlei assumiu o governo, concorreu à reeleição e venceu o pleito.

O padrão de conflitos entre titulares e vices não se restringe ao executivo estadual. Em Palmas, o ex-prefeito Carlos Amastha rompeu politicamente com sua vice, Cinthia Ribeiro, após deixar o cargo para disputar o governo do estado. Cinthia assumiu a prefeitura e, mais tarde, já reeleita, também se distanciou do então vice-prefeito André Gomes (PL).

No cenário mais recente, o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos), afastado do cargo no ano passado, enfrentou tensões com o vice durante o período em que esteve fora da função. Segundo relatos do próprio prefeito, decisões administrativas foram tomadas sem sua anuência. Após o retorno ao cargo, a relação política se tornou insustentável, culminando no rompimento entre os dois.

Esse conjunto de episódios reforça a avaliação, nos bastidores políticos, de que a escolha do vice no Tocantins deixou de ser apenas um gesto de composição eleitoral. A função passou a ser tratada como um fator central de estabilidade institucional, com impacto direto na governabilidade e na sucessão política.