Equipamentos laboratoriais adquiridos com recursos públicos permanecem sem utilização no Hospital Municipal de Pequeno Porte de Dueré. A situação foi identificada durante fiscalização do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCETO), que constatou que os aparelhos, comprados há pelo menos seis anos, continuam armazenados nas caixas e não foram utilizados para atendimento à população.

A constatação ocorreu durante vistoria realizada pela Coordenadoria de Auditorias Especiais (Coaes), entre os dias 9 e 10 de fevereiro, no âmbito das ações do projeto TCE de Olho, iniciativa que acompanha a estrutura e o funcionamento de unidades de saúde em diversos municípios do estado.

Com essa e outras irregularidades identificadas no hospital, a conselheira Doris de Miranda Coutinho, titular da 5ª Relatoria, determinou que a prefeitura e o Fundo Municipal de Saúde apresentem um plano de ação com as medidas necessárias para corrigir as falhas apontadas na fiscalização.

Apontamentos

De acordo com o relatório da equipe técnica, a ausência de planejamento na aquisição dos equipamentos resultou na ociosidade dos aparelhos, mesmo diante da demanda por exames laboratoriais na rede municipal. Apesar de possuir os equipamentos, o município mantém contrato com laboratório terceirizado para a realização dos exames, situação que levanta questionamentos sobre a eficiência na utilização dos recursos públicos.

Além desse caso, os auditores registraram outras falhas administrativas e estruturais no hospital. Entre elas, a existência de profissionais de saúde escalados para jornadas de até 72 horas consecutivas, ausência de controle adequado de frequência dos servidores e fragilidades na gestão do estoque de medicamentos da farmácia hospitalar.

A fiscalização também indicou a necessidade de aprimorar os mecanismos de controle de medicamentos, incluindo a realização de inventário completo do estoque, definição de quantidade mínima de remédios e implantação de protocolos para ampliar a segurança na dispensação dos produtos aos pacientes.

Outro ponto apontado foi a subutilização de equipamentos médicos. Um aparelho de ultrassonografia disponível na unidade, por exemplo, não estava sendo utilizado. A recomendação do Tribunal é que o hospital passe a oferecer esse tipo de exame diretamente à população, ampliando a capacidade de diagnóstico e atendimento da unidade.

Durante a inspeção, também foram identificados problemas na estrutura e nos veículos utilizados no atendimento. Duas ambulâncias apresentavam irregularidades, como ausência de placas, falhas no sistema de sinalização sonora e luminosa, ar-condicionado sem funcionamento adequado e bancos mal fixados. Além disso, os veículos estavam sem a devida vistoria junto ao Detran.

A equipe técnica identificou ainda pendências administrativas, entre elas a ausência de alvará atualizado do Corpo de Bombeiros e da Vigilância Sanitária, necessidade de manutenção em equipamentos médicos e falta de documentos e protocolos que orientem o funcionamento da unidade hospitalar.

Retorno

Após a apresentação do plano e o prazo para execução das medidas, o Tribunal deverá retornar à unidade hospitalar para verificar se as correções foram efetivamente implementadas.

O Jornal Opção Tocantins entrou em contato com a Prefeitura de Dueré, e aguarda posicionamento.