Hospital de Monte do Carmo opera há sete anos sem raio-X e sem licença sanitária, aponta TCE
26 maio 2026 às 17h29

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Após fiscalização realizada pelo Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCETO) no Hospital Municipal de Pequeno Porte de Monte do Carmo, foi apontado uma série de problemas que afetam a estrutura administrativa, os serviços de diagnóstico e a assistência prestada à população. Entre as principais falhas reveladas estão a existência de um aparelho de raio-X sem funcionamento, falta de médicos, gestão incorreta de medicamentos e a ausência de licença da Vigilância Sanitária.
As possíveis irregularidades foram identificadas durante vistoria realizada nos dias 18 e 19 de maio pela equipe da Coordenadoria de Auditorias Especiais (Coaes), dentro do projeto TCE de Olho. Diante da fiscalização, o conselheiro Severiano Costa Andrade determinou a citação dos gestores para que apresentem, no prazo de cinco dias úteis, um plano de ação contendo medidas corretivas.
Apesar do hospital possuir técnico em radiologia concursado e lotado na unidade, segundo o relatório técnico, o equipamento de raio-X da unidade está inoperante há pelo menos sete anos. O conselheiro determinou o encaminhamento do caso para setores especializados da Corte avaliarem a necessidade de fiscalização específica relacionada à situação funcional do servidor. O TCE recomendou que a gestão municipal realize avaliação técnica do equipamento, providencie os reparos necessários e apresente estudo demonstrando a viabilidade econômica.
Outra falha apontada no relatório foi a ausência de cobertura médica contínua durante todos os plantões. Na fiscalização foram constatadas situações em que a unidade permaneceu sem atendimento médico presencial em determinados períodos. Além disso, foram identificadas escalas que previam jornadas de até 48h consecutivas para médicos plantonistas.
A vistoria identificou a necessidade de ampliação dos serviços de ultrassonografia e recomendou estudo para implantação ou ampliação da estrutura laboratorial própria da unidade. Conforme o relatório, pacientes relataram dificuldades relacionadas à realização de exames e à dependência de agendamentos ou deslocamentos para outros municípios.
A fiscalização também apontou erros na gestão farmacêutica do hospital. O relatório identifica falhas no controle de estoque, ausência de definição formal de estoque mínimo para medicamentos, cobertura insuficiente de profissionais farmacêuticos e falta de transparência quanto à divulgação dos medicamentos disponíveis para a população.
O relatório revelou ainda que o hospital funciona sem alvará atualizado do Corpo de Bombeiros e sem licença da Vigilância Sanitária. Também foram constatadas ausências do Plano de Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (PCIRAS) e do Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS), documentos considerados essenciais para a segurança sanitária e operacional de qualquer unidade hospitalar.
Após o prazo de implementação das medidas, a equipe de fiscalização retornará à unidade para verificar se as providências foram efetivamente executadas.
