O Hospital Regional de Araguaína (HRA) colocou em funcionamento um ambulatório destinado ao acompanhamento de pacientes egressos da ala psiquiátrica. A unidade atende pessoas que passaram por internação e precisam de suporte no período posterior à alta hospitalar. O acompanhamento ocorre por até três meses e tem como finalidade dar continuidade ao tratamento, contribuir para a reinserção social e fortalecer a articulação com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

A diretora-geral do HRA, Cristiane Uchoa, afirmou que a implantação do serviço amplia a assistência voltada à saúde mental e ao acompanhamento contínuo dos pacientes. “Esse serviço surge como resposta a uma lacuna histórica no cuidado: o acompanhamento sistemático dos pacientes após a alta hospitalar”, afirmou.

De acordo com o coordenador da ala psiquiátrica, Jocélio Saorin, parte dos pacientes encontra dificuldades para manter o tratamento nos serviços disponíveis em seus territórios após deixar a internação. “Frequentemente, nossos pacientes encontram barreiras para reingressar nos serviços de saúde, o que contribui para a descontinuidade do tratamento e aumenta o risco de recaídas. Como consequência, acabam necessitando de reinternações para estabilização de novas crises, perpetuando um ciclo que poderia ser evitado com um suporte ambulatorial estruturado e acessível”, ressaltou.

Ainda segundo ele, a criação do ambulatório de egressos busca assegurar a continuidade do cuidado, favorecer a reinserção social, reduzir novas internações e organizar o fluxo de assistência em saúde mental.

A psiquiatra Tâmara Pinheiro também comentou sobre a implantação do atendimento. “Quando a proposta foi apresentada, abracei a ideia, pois sabemos da dificuldade em manter esses pacientes estabilizados após a alta. Muitas vezes, há demora no acesso à rede ou dificuldades das famílias em conseguir atendimento imediato. O ambulatório garante que, pelo menos no primeiro mês — podendo se estender até o segundo ou terceiro —, o tratamento seja assegurado até que o paciente seja acolhido pela rede de atenção psicossocial”, explicou.

O paciente Bruno Rodrigues de Santos relatou a experiência vivida durante o tratamento e a importância do acompanhamento após a alta. Ele informou que enfrentou crises de ansiedade e permaneceu internado por cinco dias no HRA. “Eu tinha muita ansiedade, não conseguia dormir nem ficar quieto. Também tive problemas com álcool, bebia bastante. Estou achando excelente o acompanhamento. Depois que comecei o tratamento correto, minha vida melhorou, inclusive nos aspectos financeiro e pessoal. Eu era muito estressado e hoje já não sou mais. Estou voltando aos poucos à vida normal”, relatou.