Imagens mostram Moraes e esposa desembarcando de jatinho ligado a Vorcaro após contrato de R$ 50 milhões
20 setembro 2026 às 13h49

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Um vídeo divulgado neste domingo, 20, mostra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e a advogada Viviane Barci de Moraes, sua esposa, desembarcando de um jatinho no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. O registro foi feito em 22 de agosto de 2025 e mostra o casal deixando um Legacy 650, de prefixo PP-NLR, aeronave que, à época, estava vinculada a uma empresa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O episódio ganhou repercussão porque, em abril, o gabinete de Moraes havia afirmado que o ministro “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro”. Procurado novamente, Moraes manteve a versão de que não utilizou aeronaves do ex-banqueiro.
A utilização do avião ocorreu em meio às investigações da Polícia Federal sobre negócios envolvendo Vorcaro e o escritório Barci de Moraes, ligado à esposa do ministro. Segundo documentos analisados pela PF, houve uma negociação de um segundo contrato no valor de R$ 50 milhões para serviços advocatícios. A proposta previa R$ 40 milhões em pagamento por meio de participações relacionadas a um jatinho e a um helicóptero, enquanto outros R$ 10 milhões seriam destinados ao reembolso de despesas com voos.
O Legacy 650 utilizado no voo aparece entre as aeronaves citadas na documentação da investigação. Registros analisados pela PF indicam que o avião, de prefixo PP-NLR, estava relacionado a empresas ligadas a Vorcaro. A investigação também encontrou mensagens trocadas por Vorcaro com Marcos da Mata, ligado à empresa responsável pela administração das aeronaves. Em uma das conversas, de julho de 2025, Vorcaro perguntou se Moraes e Viviane estavam utilizando os aviões. Da Mata respondeu que o uso já havia sido liberado e afirmou que eles haviam utilizado aviões e helicópteros.
Em outro trecho citado pela investigação, Vorcaro orienta que o responsável mantenha contato com o casal para permitir a utilização das aeronaves. Os registros fazem parte do material extraído pela PF do celular do ex-banqueiro.
O escritório Barci de Moraes contesta a existência do segundo contrato de R$ 50 milhões. Em nota, a banca afirma que houve apenas um contrato anterior, de cerca de R$ 130 milhões, e que a proposta posterior não teria sido aceita nem assinada. O escritório também declarou que contratou serviços de táxi aéreo da Prime Aviation, empresa que teve Vorcaro entre os sócios, mas afirmou que a escolha das aeronaves cabia à companhia contratada.
Segundo a defesa do escritório, em nenhum dos voos realizados pela Prime Aviation houve a presença de Vorcaro ou de pessoas externas ao escritório. A manifestação também afirma que, em algumas viagens, Viviane foi acompanhada pelo marido. O caso integra as investigações sobre as relações de Vorcaro com autoridades e sobre os contratos mantidos pelo Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes. A PF também apura documentos, mensagens e movimentações relacionadas ao contrato de R$ 50 milhões e às aeronaves mencionadas na negociação.
