O Ministério Público do Tocantins denunciou à Justiça Ana Paula Cerqueira Carvalho por exploração ilegal de jogos de azar e lavagem de dinheiro. Segundo a acusação, ela estruturou um esquema para divulgar plataformas de apostas não autorizadas, como o chamado “jogo do tigrinho”, utilizando redes sociais para atrair vítimas.

De acordo com a denúncia, Ana Paula promovia as plataformas em perfis no Instagram, associando sua prosperidade financeira a supostos ganhos com apostas. Para o MP, a estratégia tinha o objetivo de induzir seguidores a erro e ampliar lucros ilícitos.

As investigações apontam que a denunciada criou a empresa Cerqueira Ltda., inicialmente com o nome fantasia “Vivendo de Cassino”, depois alterado para “AP Publicidade”, que funcionaria como empresa de fachada para receber valores provenientes das apostas ilegais. A pessoa jurídica não possuía empregados e movimentou, segundo o MP, R$ 9,5 milhões.

Ainda conforme a denúncia, o ex-companheiro da acusada foi utilizado como “laranja”, cedendo contas bancárias e empresas para movimentação de recursos. Uma delas foi usada para abrir um restaurante em Porto Nacional, com a finalidade de integrar o dinheiro ilícito à economia formal.

A quebra de sigilo bancário revelou discrepância entre a renda declarada da denunciada, cerca de R$ 3 mil mensais, e o volume financeiro movimentado. O MP também aponta saques em espécie de valores elevados e a aquisição de bens como fazenda, gado, maquinário agrícola, imóveis urbanos, veículos e joias.

O Ministério Público pediu a condenação da acusada pelos crimes previstos na Lei de Contravenções Penais e na Lei de Lavagem de Dinheiro, além do perdimento dos bens já bloqueados e a aplicação do confisco alargado, em razão da incompatibilidade entre patrimônio e renda lícita.