Investigação aponta que Gustavo Veloso apresentava sinais de agressões desde 2024
06 agosto 2026 às 10h50

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A investigação sobre a morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, revelou um histórico de supostas agressões sofridas pela criança durante as visitas ao pai, o advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa. Segundo o delegado Eduardo Menezes, responsável pelo inquérito na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Palmas, a mãe do menino, Sabrina Feitosa, relatou que o filho retornava com lesões desde que o regime de convivência foi regulamentado pela Justiça, em 2024.
As informações foram divulgadas nesta quarta-feira, 5, durante entrevista coletiva em que a Polícia Civil detalhou o andamento das investigações.
De acordo com o delegado, Sabrina afirmou que o relacionamento com Igor Gustavo era marcado por violência desde a gravidez. Ela relatou que sofreu abandono financeiro durante a gestação e que, em determinados momentos, era chantageada economicamente em troca de relações sexuais.
“Ela realmente passou necessidade porque teve que parar de trabalhar. Disse também que era chantageada economicamente em troca de relações sexuais durante a gravidez”, afirmou Eduardo Menezes.
Segundo o delegado, a mãe contou que o pai passou a demonstrar interesse em conviver com Gustavo apenas quando a criança tinha cerca de oito meses de idade.
Medida protetiva e regulamentação das visitas
Eduardo Menezes relembrou que, em 2023, Sabrina registrou boletim de ocorrência contra Igor Gustavo por ameaças de morte e obteve uma medida protetiva de urgência. O caso foi divulgado à época após a divulgação de áudios em que o advogado ameaçava atirar contra a ex-companheira.
Já em 2024, uma ação na Vara da Família regulamentou o pagamento da pensão alimentícia e também definiu o regime de convivência entre pai e filho.
Segundo o relato prestado pela mãe à Polícia Civil, foi a partir da regulamentação das visitas que os episódios envolvendo Gustavo se tornaram mais frequentes.
“Ela fez questão de registrar que o menino voltava dessas visitas com arranhões e outras pequenas lesões. Há várias fotografias anexadas ao inquérito”, afirmou o delegado.
Criança teria apresentado sinais de agressão
Ainda conforme Eduardo Menezes, a investigação recebeu vídeos gravados pela mãe que mostram mudanças no comportamento da criança.
Um dos registros, segundo o delegado, mostraria Gustavo “nitidamente dopado” após retornar de uma visita ao pai.
Com o passar do tempo, as lesões aparentes teriam diminuído, mas outros sinais passaram a chamar a atenção da mãe.”Ela relatou que o menino passou a voltar com muito enjoo, muito desidratado e com muita sede”, disse.
Segundo o delegado, quando Gustavo começou a falar, passou também a relatar que era agredido. “Algumas vezes ele dizia: ‘Meu pai me bate’.”
Medo impediu novas denúncias
Questionado sobre o motivo de Sabrina não ter procurado novamente as autoridades diante dos relatos do filho e das lesões observadas, Eduardo Menezes afirmou que ela atribuiu a decisão ao medo.
Segundo o delegado, a mãe disse que conviveu durante anos sob ameaças de morte e acreditava que poderia ser assassinada caso denunciasse novamente o ex-companheiro. “Ela falou que tinha muito medo de morrer. Tinha muito medo de que, se denunciasse, ele a mataria”, relatou.
Vídeo mostra resistência da criança às visitas
Outro elemento citado pela investigação é um vídeo gravado pela mãe no domingo, dia em que Gustavo foi levado para passar o período de convivência com o pai.
Segundo Eduardo Menezes, nas imagens a criança demonstra forte resistência em ir para a casa do pai.
“Ele entra em desespero dizendo que não queria ir. Para nós, isso representa mais um indicativo de que havia uma situação constante de agressões”, afirmou.
Polícia investiga participação da madrasta
Durante a coletiva, o delegado também explicou por que a madrasta da criança foi presa preventivamente.
Segundo ele, embora ainda não existam elementos suficientes para afirmar que ela participou diretamente das agressões, a investigação concluiu que ela exercia funções de cuidado sobre Gustavo durante as visitas.
No depoimento prestado à polícia, ela afirmou que era responsável por dar banho na criança, definir horários das refeições e prestar cuidados cotidianos.
Por esse motivo, a Polícia Civil entendeu que ela ocupava a posição de garantidora e poderia responder, por omissão, pelos crimes de homicídio qualificado e tortura, caso tenha deixado de impedir as agressões.
Morte pode ter ocorrido no domingo
A Polícia Civil também informou que a principal linha de investigação indica que Gustavo morreu ainda na noite de domingo, embora o pai só tenha procurado a Polícia Civil às 16h30 de segunda-feira informando um suposto afogamento.
Segundo Eduardo Menezes, a versão apresentada por Igor Gustavo é incompatível com os laudos periciais, que não identificaram sinais de afogamento.
Os investigadores agora tentam esclarecer em que momento teve início a sequência de agressões e se um acidente na piscina pode ter desencadeado a violência que resultou na morte da criança. O inquérito segue em andamento.
A defesa dos investigados, na pessoa do advogado Júlio Suarte, enviou as seguintes notas:
Defesa de Kathellen Moreira
A defesa de Kathellen Moreira da Silva recebeu com bastante surpresa a decisão que decretou sua prisão preventiva, especialmente porque os fundamentos apresentados não individualizam qualquer conduta concreta por ela praticada que justifique a adoção da medida cautelar mais gravosa.
Causa especial preocupação o fato de não constar da decisão qualquer consideração sobre uma circunstância pessoal de extrema relevância: Kathellen é mãe e amamenta uma bebê de apenas cinco meses de idade. A custódia simultânea de Kathellen e do pai da bebê resultou na separação abrupta da criança de ambos os genitores, circunstância que deveria ter sido necessariamente ponderada antes da adoção da medida mais gravosa.
A defesa também esclarece que Kathellen se apresentou espontaneamente para o cumprimento da ordem judicial, demonstrando sua boa-fé e disposição em colaborar com as investigações. Diante desse cenário, a defesa adotará as medidas judiciais cabíveis para requerer a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar, compatibilizando a regularidade da investigação com a proteção dos direitos e das necessidades da bebê lactente.
Defesa de Igor Gustavo Veloso de Sousa
A defesa de Igor Gustavo Veloso de Sousa esclarece que, assim que tomou conhecimento do pedido de prisão preventiva, colocou-se imediatamente à disposição da autoridade policial, informando que Igor se entregaria voluntariamente caso a medida fosse decretada. Após a expedição do mandado, a defesa manteve contato com a autoridade policial e ficou ajustado que Igor se entregaria na própria residência onde se encontrava.
Ele permaneceu no local e aguardou a chegada da equipe policial, submetendo-se voluntariamente ao cumprimento da ordem judicial, sem qualquer tentativa de fuga ou resistência. Portanto, embora a prisão tenha sido formalmente cumprida em uma residência, não se tratou de localização ou captura realizada após buscas policiais, mas de entrega voluntária previamente acordada com a autoridade responsável, mantendo a postura de colaboração adotada desde o início das investigações. Em respeito ao sigilo da investigação, a defesa não se manifestará, por ora, sobre aspectos específicos do caso.
