Justiça mantém prisão temporária de PMs suspeitos de envolvimento em assassinato de mototaxista de Sandolândia
12 fevereiro 2026 às 08h56

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Os policiais militares Devany Gomes dos Santos, 55 anos, e Cláudio Roberto Nunes Gomes, 41 anos, seguem presos temporariamente por suspeita de envolvimento no homicídio do mototaxista Jefferson Lima Borges, 25 anos, ocorrido na madrugada de 21 de setembro de 2025, na rodovia TO-181, entre Sandolândia e Araguaçu, no sul do Tocantins.
Conforme informações apuradas pelo Jornal Opção Tocantins, a audiência de custódia realizada nesta quarta-feira, 11, teve caráter apenas formal, e a prisão deve permanecer por no mínimo 30 dias, salvo se a defesa obtiver sucesso em algum recurso.
Ambos foram submetidos a exame de corpo de delito e permanecem custodiados na sede do 4º Batalhão da Polícia Militar, à disposição da Justiça. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o prazo de 30 dias corresponde ao período necessário para a conclusão do inquérito policial.
Entenda o caso
As prisões foram determinadas pelo Poder Judiciário dentro de um inquérito que investiga a morte do mototaxista Jefferson. O jovem foi encontrado ao lado de sua motocicleta, com marcas de disparos de arma de fogo, inicialmente tratado como um possível acidente de trânsito, o caso passou a ser investigado como homicídio após a Polícia Civil identificar indícios ainda no local.
Segundo as apurações, há um conjunto consistente de indícios de autoria e sinais de possível interferência na produção de provas, incluindo vestígios digitais. Esses elementos fundamentaram o pedido de prisão temporária dos suspeitos. A reportagem busca contato com a defesa dos policiais.
Meses antes de ser morto, Jefferson havia denunciado ao Ministério Público do Tocantins (MPTO) abordagens abusivas, ameaças e apreensão irregular de seu celular por policiais da região de Araguaçu. Nos registros feitos em julho de 2025, o mototaxista relatou temer por sua integridade física e possíveis represálias. Após as denúncias, o MP solicitou esclarecimentos à Polícia Militar e constatou que não havia registro formal da apreensão do celular, que acabou devolvido ao jovem.
Durante as investigações, em novembro de 2025, a Polícia Civil deflagrou operação que cumpriu mandados de busca e apreensão em quartéis da PM e afastou quatro policiais. A apuração indicou que um dos militares responsáveis pelo atendimento inicial teria omitido informações importantes, incluindo o relato de uma testemunha que viu uma caminhonete com características de viaturas policiais passando próximo ao local pouco antes do corpo ser encontrado.
A Polícia Militar do Tocantins (PMTO) informou que deu cumprimento às determinações judiciais e que os policiais permanecem custodiados na sede do 4º Batalhão, à disposição da Justiça. A audiência de custódia teve caráter apenas formal. A corporação reforçou que acompanha o andamento do processo nas esferas cível e criminal, adotando medidas administrativas se forem identificados desvios de conduta, e destacou seu compromisso com a legalidade, transparência e respeito às decisões do Poder Judiciário.
