A mãe do menino Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, encontrado morto em Palmas nesta semana, já havia obtido uma medida protetiva de urgência contra o pai da criança, o advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, após denunciar ameaças em 2023.

Na época, Sabrina Feitosa registrou dois boletins de ocorrência contra o então companheiro. O caso ocorreu quando o filho do casal tinha oito meses de idade.

A denúncia teve início após uma discussão relacionada à convivência com a criança. Sabrina relatou que Igor Gustavo queria levar o bebê para dormir com ele, mas ela teria recusado porque o filho ainda precisava ser amamentado.

Após a negativa, a mulher afirmou ter recebido áudios com ameaças e ofensas atribuídas ao advogado. Em um dos trechos divulgados à época, havia uma ameaça de morte contra ela.

Além das mensagens, Sabrina relatou à polícia que o portão da residência dela teria sido destruído durante a madrugada e afirmou que o ex-companheiro seria o responsável pelo dano. O episódio motivou um segundo registro policial.

Após os relatos, a Justiça concedeu medida protetiva de urgência em favor de Sabrina Feitosa. A decisão determinou que Igor Gustavo mantivesse distância mínima de 200 metros da ex-companheira e proibiu qualquer contato por telefone, mensagens ou outros meios de comunicação.

O documento judicial também estabeleceu que eventuais tratativas relacionadas ao filho do casal deveriam ocorrer por intermédio de terceiros. O descumprimento das medidas poderia resultar em prisão.

Na ocasião, Igor Gustavo Veloso de Sousa ocupava o cargo de presidente do Tribunal de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Tocantins. A OAB Tocantins afirmou, na época, que acompanharia as investigações.

Histórico

Agora, após a morte de Gustavo Veloso Feitosa, o histórico de denúncias voltou a ser citado pela defesa da mãe. A advogada Stella Bueno afirmou que a relação entre Sabrina e Igor Gustavo teria sido marcada por episódios de violência e mencionou a possibilidade de violência vicária, hipótese que ainda não integra as conclusões oficiais da investigação sobre a morte da criança.

O pai da criança, o advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, é investigado pela Polícia Civil. A investigação foi instaurada depois que Igor Gustavo procurou a Polícia Civil afirmando que o filho teria sofrido um afogamento na piscina da residência. No entanto, o Instituto Médico Legal (IML) informou que o exame preliminar não encontrou sinais de afogamento e apontou como causa aparente da morte uma laceração intestinal, com hemorragia interna e externa. O diretor do IML, Eduardo Godinho, também afirmou que o corpo da criança apresentava sinais de violência.

A Polícia Civil ainda aguarda a conclusão dos laudos periciais, e o inquérito segue sob sigilo. O caso atual é investigado pela 1ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Palmas.

O Jornal Opção Tocantins procurou a defesa do de Igor, mas até o fechamento desta reportagem não obteve retorno.