A defesa do desembargador Helvécio de Brito Maia Neto, investigado na Operação Maximus, afirmou ao Jornal Opção Tocantins que a anotação apreendida pela Polícia Federal com o título “Veto Absoluto” não indica irregularidade no processo de escolha de advogados para vagas de juiz membro no Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins em 2021.

A manifestação foi encaminhada após reportagem que mostrou que uma lista com nomes de advogados, encontrada na residência do magistrado durante buscas da investigação, passou a integrar o inquérito que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no Judiciário estadual.

Segundo a defesa, a eleição para juiz membro do tribunal eleitoral segue um rito específico e, diferentemente do processo para escolha de desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins, não há obrigatoriedade legal de formação de uma lista prévia pela Ordem dos Advogados do Brasil.

De acordo com o esclarecimento, cabe ao plenário do Tribunal de Justiça — formado por 19 desembargadores — selecionar os três advogados que serão indicados ao presidente da República para compor a Corte eleitoral.

Defesa contesta interpretação da lista

Segundo o texto, por integrar o plenário do Tribunal de Justiça, Helvécio Maia participa da votação e tem discricionariedade para escolher, entre os advogados regularmente inscritos na seccional da OAB no Tocantins, aqueles que poderão concorrer a uma das vagas destinadas à advocacia no tribunal eleitoral.

Ainda conforme a manifestação, a existência de anotações pessoais não significa interferência indevida no processo de escolha dos membros do tribunal.

Investigação em andamento

A lista com 13 nomes de advogados foi apreendida durante mandado de busca e apreensão no âmbito da Operação Maximus, investigação conduzida pela Polícia Federal que apura a suspeita de um esquema de mercancia de decisões judiciais no Judiciário tocantinense.

O documento reúne nomes acompanhados de números de inscrição na OAB, com indicações como “veto absoluto” e “sugestões”. De acordo com a análise da Polícia Federal, a presença do documento na casa do desembargador causa estranheza porque a definição dos nomes que integram a lista encaminhada ao tribunal eleitoral passa por etapas formais conduzidas pelo próprio TRE. Ainda assim, o material indicaria que alguns candidatos já estariam previamente vetados ou sugeridos. 

A defesa do desembargador sustenta, porém, que a escolha segue regras institucionais e que a participação dos desembargadores no processo de votação é prevista no próprio procedimento do Tribunal de Justiça.

Máximus: Lista apreendida pela PF indica “veto absoluto” a advogados em disputa por vaga de juiz no TRE do Tocantins