O monitoramento da severidade da seca no Brasil, com foco no calendário de plantio de feijão e milho, identificou municípios do Tocantins em condição de seca severa no mês de dezembro. Os dados consideram os estados com calendário agrícola vigente, conforme referência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e utilizam indicadores que permitem estimar áreas com maior potencial de impacto sobre a agricultura familiar.

Segundo o levantamento, 20 estados estavam com calendário de plantio vigente para as culturas analisadas. A análise chama atenção para o fato de que as diferentes categorias de seca podem afetar a lavoura em etapas distintas do ciclo produtivo, com reflexos diretos no andamento do plantio e na produtividade final.

Na região Norte, seis municípios apresentaram condição de seca severa em dezembro, sendo quatro no Tocantins e dois no Amazonas. Além disso, outros 42 municípios foram classificados com seca moderada, com concentração no Tocantins, que registrou 25 municípios nessa condição. O restante foi distribuído entre Pará (11), Rondônia (5) e Amazonas (1).

O levantamento destaca que, em situações de seca moderada a excepcional, há maior possibilidade de prejuízos, dependendo do momento em que ocorre o déficit hídrico. Se a falta de chuva se intensifica no início do plantio, pode haver atraso no calendário agrícola. Quando ocorre no meio do ciclo, o cenário pode resultar em redução de produtividade e quebra de safra.

No recorte específico do mês de dezembro, o monitoramento também classificou municípios tocantinenses com risco alto e risco moderado de seca para a agricultura, considerando o cultivo de feijão e milho em áreas não irrigadas, com base no calendário agrícola da Conab.

Entre os municípios do Tocantins com risco alto de seca, foram listados: Pium, Monte do Carmo, Santa Tereza do Tocantins, Cristalândia, Santa Rita do Tocantins, Nova Rosalândia, Lagoa do Tocantins, Marianópolis, Ipueiras, Paranã e Caseara.

Já os municípios com risco moderado de seca foram: Aparecida do Rio Negro, Rio dos Bois, Ponte Alta do Tocantins, São Salvador do Tocantins, Abreulândia, Divinópolis, Lagoa da Confusão e Miracema.

Seca é medida por índice que combina chuva, solo e vegetação

A severidade da seca no contexto da agricultura familiar é monitorada pelo Índice Integrado de Seca (IIS), que reúne informações de três componentes: déficit de precipitação na escala de um mês, umidade do solo e saúde da vegetação. A leitura combinada desses indicadores permite identificar áreas com maior probabilidade de impactos relacionados à estiagem.

De acordo com os parâmetros técnicos do índice, a seca fraca exige atenção, mas não significa, necessariamente, impacto direto sobre a produção. Já as categorias que vão de seca moderada a excepcional indicam maior risco de danos, especialmente quando persistem durante fases sensíveis do cultivo.

Além do monitoramento da severidade, o risco de seca na agricultura familiar é avaliado considerando o cultivo de feijão e/ou milho não irrigados. O cálculo leva em conta a exposição ao déficit hídrico, somada às vulnerabilidades e às capacidades adaptativas de cada município, utilizando também o calendário agrícola divulgado pela Conab.

Na avaliação referente ao plantio realizado em dezembro, três municípios no Brasil foram classificados com risco muito alto de seca, localizados nos estados de São Paulo, Amazonas e Bahia. O levantamento também identificou 74 municípios com risco alto e outros 335 com risco moderado.

O impacto da seca sobre a agricultura também é acompanhado por meio do boletim da Conab, que consolida estimativas de produção e destaca os principais fatores que influenciam o desempenho das safras. Na primeira estimativa da safra de grãos 2025/26, divulgada em outubro de 2025, a produção total prevista era de 354,7 milhões de toneladas.

Na quarta estimativa, publicada em janeiro de 2026, o volume foi revisto para 353,1 milhões de toneladas, representando uma queda de aproximadamente 1,6 milhão de toneladas. A redução equivale a 0,45% em comparação com a projeção inicial.

A Conab também aponta que, além da seca, a variação de produção entre estimativas pode estar relacionada a fatores como mudança de área plantada, migração para culturas consideradas mais rentáveis e ocorrências de pragas, que também interferem no desempenho das lavouras ao longo do ciclo.