Morre Renato Machado, ex-apresentador do Bom Dia Brasil e um dos maiores nomes do telejornalismo brasileiro
16 julho 2026 às 12h07

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O jornalismo brasileiro perdeu hoje um dos seus maiores nomes. Renato Machado, aquele que por tantos anos deu bom dia para milhões de brasileiros, faleceu nesta quinta-feira, 16, aos 83 anos, no Rio de Janeiro. Ele estava internado na Clínica São Vicente, na Zona Sul da cidade, e a família preferiu não divulgar a causa da morte.
Se você ligava a TV de manhã entre o final dos anos 90 e os anos 2000, com certeza tem a imagem dele guardada na memória. Renato não era só um apresentador sério atrás de uma bancada; ele foi o grande responsável por mudar a cara do Bom Dia Brasil. Ao lado de nomes como Leilane Neubarth e Renata Vasconcellos, ele ajudou a quebrar aquele formato engessado e antigo do telejornalismo, trazendo mais conversa, opinião, debate ao vivo e dinamismo. O jeito que a gente consome notícia de manhã hoje começou ali, com ele.
Mas a carreira dele vai muito além da bancada do estúdio. Renato foi um baita repórter de campo e correspondente internacional. Logo que entrou na Globo, em 1982, já foi enviado para cobrir a Guerra das Malvinas. Pouco depois, em Londres, cobriu acontecimentos históricos pesadíssimos, como os atentados em Paris em 1986 e o desastre nuclear de Chernobyl. Ele estava lá, vendo a história acontecer de perto.
De volta ao Brasil, participou da cobertura de momentos que pararam o país, como o impeachment do Collor e a morte de Ayrton Senna em 1994.
E o Renato tinha duas marcas registradas: a elegância clássica e uma paixão gigante por vinhos. Em sua segunda temporada morando em Londres, a partir de 2011, ele conseguiu unir o trabalho à enologia, produzindo séries lindíssimas sobre gastronomia e a produção de vinhos na Europa, principalmente na Provença francesa, que foram ao ar no Jornal Hoje.
Já no final da carreira, brilhando no Globo Repórter, ele assinou a reportagem “A arte como passaporte”, que mostrava como a música e a dança transformavam a vida de crianças na periferia. Esse trabalho foi tão sensível que acabou indicado ao Emmy Internacional em 2016.
Mesmo com tanta bagagem, ele nunca se colocou em um pedestal. Em um depoimento ao Memória Globo, Renato resumiu sua visão sobre a profissão com uma frase que mostra bem sua humildade: “É um universo de aprendizado que, a cada dia, você vê que erra.”
Fica o legado de um profissional que ensinou gerações a gostar de notícia de um jeito leve, inteligente e muito respeitoso.
