A indicação de Paulo Mourão para a chapa ao Senado de Laurez Moreira alterou uma equação política importante para Irajá Abreu. Antes do acordo entre PSD e PT, o senador construía uma posição singular no tabuleiro eleitoral tocantinense: filiado a um partido de centro, sem vínculos históricos com a esquerda, mas próximo o suficiente do governo federal para tentar atrair o eleitorado alinhado ao presidente Lula.

A estratégia ganha relevância em um cenário no qual a maior parte dos nomes colocados para a disputa ao Senado em 2026 transita entre o centro e a direita. Com a mãe, a ex-senadora Kátia Abreu, na coordenação da campanha de reeleição de Lula no Tocantins, Irajá passou a ocupar um espaço político diferente daquele tradicionalmente associado à sua trajetória, marcada pelo pragmatismo.

Até a consolidação da aliança com o PT, as negociações passavam pela possibilidade de os petistas participarem da composição majoritária sem um candidato próprio ao Senado, inclusive com espaço na suplência de Irajá. A entrada de Paulo Mourão, nome com maior identificação com a esquerda tocantinense do que o senador, mudou esse desenho e levou para dentro da chapa uma disputa por um eleitorado que o senador buscava atrair.

Sob essa perspectiva, os movimentos recentes de Irajá dentro do PSD podem ser lidos menos como uma divergência pontual sobre a montagem da chapa e mais como uma tentativa de preservar uma posição política construída nos últimos anos. Em um estado onde Lula venceu as eleições presidenciais, mas a esquerda não transformou esse desempenho em protagonismo local, a definição sobre quem representará esse campo em 2026 ainda está em aberto.