MPTO denuncia 25 pessoas por esquema de golpes eletrônicos que teria movimentado mais de R$ 10 milhões no Tocantins
22 setembro 2026 às 17h17

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O Ministério Público do Tocantins (MPTO) denunciou 25 pessoas investigadas na Operação Falsum Imperium, que apura um esquema de fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro no norte do Estado. Segundo o MPTO, o grupo teria movimentado mais de R$ 10 milhões por meio de golpes aplicados principalmente pela internet.
A denúncia foi apresentada pela 1ª Promotoria de Justiça de Araguatins, com base em investigação realizada em conjunto com a 10ª Delegacia de Polícia Civil do município.
De acordo com o promotor de Justiça Paulo Sérgio Ferreira de Almeida, os investigados teriam criado páginas e anúncios falsos que imitavam sites e serviços de empresas conhecidas. O objetivo seria atrair consumidores interessados na compra de passagens aéreas e rodoviárias, pacotes turísticos e outros produtos.
As ofertas eram divulgadas por meio de anúncios nas redes sociais. Conforme a investigação, as campanhas fraudulentas alcançaram mais de 3 milhões de usuários.
A apuração identificou ainda 1.310 transações relacionadas ao pagamento de publicidade digital, que totalizaram R$ 55,8 mil.
Vítimas eram direcionadas para páginas falsas
Segundo o MPTO, após clicar nos anúncios, as vítimas eram direcionadas para páginas de pagamento ou canais que simulavam o atendimento das empresas verdadeiras. O esquema também utilizava o WhatsApp Business para dar aparência de legitimidade às negociações.
Os pagamentos eram realizados principalmente por Pix e boletos e encaminhados para contas utilizadas pelos integrantes do grupo.
A investigação aponta que a atuação ocorria com divisão de tarefas entre os envolvidos. A denúncia apresentada pelo MPTO organiza os investigados em quatro núcleos: comando; recrutamento e gestão de contas; movimentação e triangulação financeira; e núcleo familiar e de blindagem patrimonial.
Contas de terceiros eram usadas para movimentar dinheiro
Conforme a apuração, integrantes do grupo recrutavam terceiros para fornecer documentos e dados pessoais que seriam utilizados na abertura de empresas e contas digitais.
Depois que os valores obtidos com os golpes entravam no sistema financeiro, eles seriam transferidos entre diferentes contas e submetidos a operações destinadas, segundo o MPTO, a dificultar a identificação da origem dos recursos.
Parte do dinheiro teria sido convertida em criptoativos, enquanto outra parcela teria sido incorporada a atividades comerciais ou utilizada na compra de veículos e imóveis.
A análise financeira encontrou movimentações consideradas atípicas em diferentes contas. Entre os casos citados pelo MPTO estão mais de R$ 4,4 milhões movimentados por uma empresa comercial, R$ 2,37 milhões em uma conta ligada a um policial penal e R$ 732 mil relacionados a um técnico em enfermagem.
MPTO pede prisões e perda de patrimônio
Os 25 investigados foram denunciados, conforme a participação atribuída individualmente a cada um, por crimes relacionados a organização criminosa, estelionato qualificado por fraude eletrônica e lavagem de dinheiro.
A denúncia, segundo o MPTO, individualiza as condutas e descreve as funções que cada denunciado teria desempenhado no esquema.
O Ministério Público também pediu à Justiça a adoção de medidas cautelares, entre elas prisões preventivas, além da perda de bens que teriam relação com os crimes investigados.
O órgão requereu ainda a chamada perda alargada de patrimônio, medida que busca atingir bens cuja origem não seja compatível com os rendimentos lícitos dos investigados, conforme os requisitos legais.
Em relação aos servidores públicos denunciados, o MPTO também pediu a perda dos cargos em caso de eventual condenação.
As acusações ainda serão analisadas pela Justiça. A apresentação da denúncia não significa condenação dos investigados, que terão direito à defesa e ao contraditório no processo.
