MPTO denuncia nove pessoas por esquema de jogos de azar, fraudes e lavagem que movimentou R$ 20,4 milhões
15 agosto 2026 às 09h11

COMPARTILHAR
Uma denúncia apresentada pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO) levou à Justiça nove pessoas investigadas por suposta participação em uma organização criminosa voltada à exploração ilegal de jogos de azar e loterias, fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro. Conforme o documento elaborado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o grupo teria movimentado mais de R$ 20,4 milhões e seria liderado por uma manicure e influenciadora digital de Palmas.
O caso é resultado das investigações que deram origem à Operação Tigre de Areia, deflagrada em maio deste ano pela 1ª Delegacia Especializada em Investigações Criminais da Polícia Civil do Estado do Tocantins. As apurações indicaram que o grupo atuava, pelo menos, desde meados de 2023, principalmente em Palmas, com ramificações em outros estados. Segundo a investigação, havia uma divisão de tarefas para captar vítimas, movimentar valores e ocultar a origem dos recursos.
De acordo com o que foi apurado, a influenciadora usava as redes sociais para divulgar plataformas clandestinas de jogos de azar, entre elas o chamado “Jogo do Tigrinho”, além de anunciar sorteios sem autorização. Durante as investigações, o Ministério da Fazenda informou que ela não tinha autorização para realizar promoções comerciais, rifas ou captar apostas.
O MPTO também atribui à influenciadora a prática de estelionato mediante fraude eletrônica, relacionada à divulgação de anúncios que prometiam lucros e renda extra por meio de apostas e jogos online. Em um dos casos citados na denúncia, uma vítima teria recebido mensagens frequentes com links para plataformas de apostas e, após seguir as promessas de ganhos financeiros, teria sofrido prejuízo de R$ 68 mil, além de danos à saúde mental.
Movimentação milionária
A análise das movimentações financeiras identificou um volume superior a R$ 20 milhões nas contas relacionadas aos investigados. Conforme a denúncia, apenas nas contas da influenciadora foram registrados aproximadamente R$ 13,5 milhões em créditos entre junho de 2023 e maio de 2024.
Segundo o MPTO, os valores obtidos com as atividades investigadas eram distribuídos entre diferentes contas bancárias e movimentados por meio de transferências fracionadas, empresas intermediadoras de pagamentos, além de contas pertencentes a familiares e outras pessoas ligadas ao grupo.
As apurações também apontaram a compra de imóveis e veículos de alto valor e o uso de uma empresa que, segundo a denúncia, teria sido utilizada para conferir aparência de legalidade aos recursos. Em uma das movimentações analisadas, a empresa transferiu R$ 985 mil para a conta pessoal da influenciadora, em 28 transações.
Para o MPTO, os envolvidos desempenhavam funções coordenadas dentro da estrutura investigada. A influenciadora é apontada como responsável pela liderança, pela captação de vítimas, pela divulgação dos jogos e pela definição das formas de circulação dos recursos. Familiares e outras pessoas denunciadas teriam participado da movimentação, dispersão e ocultação dos valores.
Denúncia
A influenciadora foi denunciada pelos crimes de organização criminosa, com agravante pela condição de liderança, lavagem de dinheiro, estelionato mediante fraude eletrônica, exploração de jogos de azar e promoção de loterias sem autorização.
As outras oito pessoas denunciadas são familiares, uma funcionária e integrantes apontados como responsáveis pelo suporte à movimentação financeira. A essas pessoas, o MPTO atribui os crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Na ação, o Ministério Público solicita à Justiça a manutenção das medidas patrimoniais determinadas durante a investigação e, em caso de condenação, a perda dos bens apontados como produto dos crimes. O órgão também requer que a Receita Federal e a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda sejam comunicadas para a apuração administrativa e tributária das condutas.
