Nikolas Ferreira tem número registrado em WhatsApp de empresário investigado pelo INSS
22 janeiro 2026 às 10h28

COMPARTILHAR
Relatórios obtidos pelo ICL Notícias a partir da CPMI do INSS indicam que o telefone do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) aparece registrado no WhatsApp Business de Daniel Vorcaro, empresário investigado por supostos descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas. A descoberta surge enquanto a comissão busca mapear redes de relacionamento político, empresarial e institucional vinculadas ao esquema.
Os dados fazem parte de relatórios técnicos elaborados após a quebra de sigilo telemático autorizada pela comissão parlamentar. Em um arquivo identificado como “WhatsApp Business Record”, que reúne contatos vinculados à conta utilizada por Vorcaro, aparece um número de telefone com final 0022, atribuído ao parlamentar mineiro.
O registro indica que o contato de Nikolas Ferreira estava salvo ou associado à conta de WhatsApp analisada no momento da extração dos dados. Trata-se, segundo os próprios documentos, de um vínculo unilateral: o material mostra que Vorcaro tinha o número do deputado em sua agenda, sem apontar se havia reciprocidade, troca de mensagens, chamadas ou encontros entre as partes.
Ainda assim, a presença do número chama atenção dos investigadores por ocorrer em um contexto mais amplo de apuração sobre articulações políticas e empresariais relacionadas ao esquema de descontos irregulares no INSS. Os relatórios fazem parte do esforço da CPMI para reconstruir fluxos de comunicação e redes de influência entre pessoas físicas, empresas e instituições citadas no inquérito.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é um dos empresários que tiveram comunicações submetidas à quebra de sigilo no curso das investigações. O material analisado refere-se a apenas uma das linhas telefônicas vinculadas a ele, que possui múltiplos números e contas de WhatsApp associadas a seus negócios.
A reportagem procurou o deputado Nikolas Ferreira para esclarecer a presença de seu número nos registros, questionando se houve qualquer tipo de interlocução com Vorcaro relacionada ao Banco Master, à CPMI do INSS ou às investigações em curso. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta.
Nos bastidores da comissão, parlamentares avaliam que o caso do INSS pode ter pontos de conexão com o escândalo envolvendo o Banco Master, especialmente no uso de estruturas financeiras paralelas. Nesse contexto, deputados passaram a citar também a Igreja Batista da Lagoinha, à qual Nikolas Ferreira é publicamente ligado como membro e frequentador.
A suspeita ganhou força após os deputados Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) e Rogério Correia (PT-MG) acionarem o Banco Central para pedir esclarecimentos sobre a atuação da Clava Forte Bank S/A, empresa ligada à Igreja Lagoinha. O requerimento questiona se a empresa possui autorização para operar como instituição financeira ou fintech e se mantém vínculos com o Banco Master ou com pessoas ligadas a Vorcaro.
Essas informações foram incorporadas aos trabalhos da CPMI do INSS, que investiga se estruturas financeiras associadas a organizações religiosas podem ter sido instrumentalizadas no esquema que atingiu milhões de aposentados e pensionistas em todo o país.
